Antes que seja tarde

Ou até que o tempo os separe

Sou capaz de apostar que diversos pensamentos passaram pela sua cabeça quando eu mencionei a palavra tempo. Curioso, não? Lidar com tempo é sempre uma coisa complicada. Esqueça seus relógios e lá se vai a sua percepção. Agarre-se demais a eles e perceba que vai começar a calcular quanto tempo você ainda tem, quanto tempo você pode gastar… e quanto tempo você perdeu.

Quer complicar ainda mais a questão do tempo? Adicionemos então os relacionamentos. Aí está algo que tem boa parte do seu valor pautada no tempo. E isso vai do tempo que você gasta se dedicando até o tempo que você perde tentando superar seu fim, ou tentando começá-lo. Ou ainda pior: tentando dizer tudo aquilo que está preso dentro de você, mas que você não consegue por algum motivo (que também não sabe explicar mas que se parece muito com medo).

A vida se limita ao hoje. Amanhã, você está ocupado demais com seus afazeres. Semana que vem aparece uma nova oportunidade na sua vida. Mês que vem você está em preparo constante para aproveitá-la. Ano que vem você está se mudando para fora do país. Mais algum tempo depois e você faz novas amizades, consegue novos contatos enquanto nem luta para manter a maioria dos antigos. E todos os dias, quando você acorda, toma café e joga água gelada no rosto, vem a lembrança daquela pessoa.

Sim, aquela para quem você tinha algo a dizer. Você a procura, a encontra nas redes sociais, olha como ela foi feliz desde a última vez em que se viram. Mas você olha para ela com um sentimento de culpa. Porque nem a rotina mais atarefada do mundo consegue soterrar dentro de você o fato de que você poderia ter dito algo para aquela pessoa e mudado o rumo de toda a sua vida. De ambas as vidas, arrisco dizer. Você pensa em dizer naquele momento, mas o fato de estar distante — em ambos os sentidos da palavra — te desanima e você se convence, naquele momento, de que pode deixar para amanhã. Sem saber que o amanhã não chega, e que ele fatalmente deixa de ser amanhã para se tornar tarde demais.

Por isso eu digo: se essa pessoa existe em sua vida, e algo dentro de você luta para sair de todas as formas, deixe que saia. Vá, se expresse, fale tudo que quiser. Não deixe esse medo — ou o que quer que seja que se parece com ele — ser mais forte que você. Se arrisque. Viva todos os sentimentos que tiver em si e que esperam para serem vividos. Não deixe para amanhã.

Você nunca sabe se o amanhã chega de verdade.

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