Carta anônima #4

Finalmente mudando meu destinatário

Bruno Garofalo
Sep 4, 2018 · 3 min read

Tem alguns meses que nós nos conhecemos e ainda não tivemos uma oportunidade concreta de sentar e conversar sobre a vida. Tudo que eu sei sobre você é muito vago ainda, mas vago o suficiente para eu querer preencher todas as lacunas. Mas eu sei algumas coisas: sua vida por enquanto não está fácil. Você tem uma resiliência que eu vi em poucas pessoas. Você sabe aproveitar a vida e eu admiro muito isso.

Sabe, achei que nunca ia escrever para você. Tinha um certo medo — e ainda o tenho — de que nossa relação permaneça em algo muito superficial. Nos vermos de vez em quando, conversarmos sobre coisas cotidianas demais ou profissionais demais. Uns elogios aqui, outros ali, seus talentos sempre se destacando e eu mais frequentemente na posição de admirador. Mas é que sei lá, algo em você é… diferente. Mas um diferente bem familiar.

Explico: você tem alguns traços que me fazem lembrar muito de alguém que eu conheci e perdi. Já escrevi um bocado sobre essa pessoa, mas de vez em quando ela ainda aparece na minha cabeça como um fantasma que eu não soube propriamente exorcizar. Talvez seja seu jeito de conversar, sua facilidade em criar intimidade com as pessoas, sua desinibição ou sei lá o que mais que me fazem enxergá-la em você. Não tenho intenção nenhuma de comparar as duas; são pessoas diferentes, com histórias de vida diferentes e a únicas coisas que vocês têm em comum são: o nome (que não é o mesmo, mas é igualmente composto) e o fato de terem cruzado meu caminho em algum momento.

Você ainda não está aqui há tempo suficiente para me desejar um feliz aniversário, ou para saber das minhas histórias mais íntimas, ou mesmo para entender por que será que você me lembra tanto essa outra pessoa. Sei lá, acho que uma conversa assim demandaria que nós dois estivéssemos bastante abertos e dispostos a um papo sem julgamentos, apenas para compreender. Senta comigo, vamos tomar uma cerveja ou qualquer outra coisa (lembrando que eu não gosto de chá nem de café) e conversar sobre você, sobre mim, sobre tudo ou sobre nada. Quem sabe bêbado eu consiga expressar melhor essa gratidão que não cabe em mim, mas que eu tento passar para você em doses homeopáticas. Por fim, espero que não aconteça conosco o que aconteceu entre ela e eu. Mas é que às vezes eu falo umas bobagens. Me perdoe se eu estragar tudo.

Não vou dizer que é um costume, mas acontece.


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Bruno Garofalo

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Levando poesia à vida comum. Textos às segundas, com (cada vez menos) raras exceções. Escrevo sobre o que quer que me inspire.

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