Do ponto A ao ponto B

E os inúmeros desvios no caminho

Como quase todas as ideias que saem de mim, essa é mais um fruto do famigerado processo enunciado por “esses dias eu estive pensando”. Hoje é mais uma dessas analogias com a vida, misturada com um desabafo que eu não vejo outra forma de fazer. E o conceito inicial é: imagine que a sua vida (ou, em uma escala menor, um dos seus objetivos) seja um caminho que vai do ponto A ao ponto B.

Esse caminho é o que você imagina que deve percorrer para alcançar seu objetivo. Até aí, óbvio. E, como na vida, você eventualmente percebe que outros caminhos levam também ao mesmo objetivo; além disso, percebe também que consegue administrar seus próprios desvios, mantendo sempre claro de onde você veio e o rumo que você deve seguir. Porém, às vezes, você acha inocentemente que desviar sua rota vai te fazer bem, e acaba por perceber que foi enganado por placas duvidosas que indicavam cada uma dessas bifurcações.

Ou apenas quis correr o risco

Às vezes eu acho que acabo me complicando. Alguns dos desvios no meu caminho são bons, mas eu acabo fazendo deles algo muito mais tortuoso do que realmente deveria ser. Não que eu seja a favor de bagunçar minha própria vida; não, longe de mim. Mas acontece. E infelizmente, uma vez que a bagunça está feita, eu não faço ideia de por onde começar a arrumar, nem se há de fato a possibilidade de retornar à situação inicial. Pedir ajuda pode acabar levando a terceiros: julgando sua bagunça; ou ajudando a bagunçar ainda mais.

Constantemente eu me pego pensando demais, e sei que pensar demais acaba estragando as coisas. Mas o que fazer quando o único cenário em que eu chego ao final desse caminho é dentro da minha própria cabeça? Uma ideia seria tentar trazê-lo para fora. Alguns diriam que é otimista demais, outros que é estranho demais. Eu não me importo, na verdade. Não há como controlar um espírito sonhador, especialmente quando ele já está voando alto dentro do próprio sonho.

Mas acho que as coisas não deveriam ser assim. Eu mesmo não deveria ser tão assim. Me arrependo demais das coisas, em um espaço de tempo consideravelmente pequeno. É mais frequente do que eu gostaria. Porém, às vezes é necessário para que eu abandone uma ideia antes que ela cresça ao ponto de fazer um estrago. Talvez eu não seja a melhor pessoa para falar sobre isso, mas acredito que eu tenha que dizer isso tudo. É maior do que eu.

Recentemente eu parti do ponto A e tinha o ponto B claro como o dia à minha frente. De repente, o caminho ficou denso, tortuoso, até perigoso, eu diria. Eu quis fazer um desvio onde não deveria. Caí de um barranco muito alto para subir de volta, em uma trilha talvez ainda mais perigosa. O que eu tinha comigo se perdeu, as mãos que se estenderam para me salvar da queda estavam distantes. Eu me machuquei. Mas o que mais me doeu foi saber que voltar para o caminho anterior parecia impossível.

O que mais me incomoda nisso tudo? A sensação de que nada que eu fizer vai adiantar. Querer voltar para o caminho anterior não é suficiente, tampouco ir direto para o fim. Agora sigo confinado com meus próprios pensamentos dolorosos, numa trilha escura e solitária, na qual até minha própria sombra me abandonou.

Vai que esses caminhos se cruzam de novo em um possível ponto C…


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