Eu voltei

Há mais ou menos um ano, escrevi esse texto aqui. Enquanto eu olhava as gotas de chuva preencherem a janela do ônibus, pouco antes de adormecer, eu só conseguia pensar em duas coisas. Uma delas é que eu precisava voltar para aquela cidade. Como se um pedaço meu tivesse sido deixado para trás como garantia de que um dia eu iria buscá-lo. A outra era o motivo.
Durante um ano, eu pensava nisso quase todos os dias. Em alguns, assim que acordava; em outros, pouco antes de ir dormir. Enfiava o desejo “eu quero ir pra São Paulo” em qualquer assunto, mesmo que não tivesse relação nenhuma. E acho que, no fim das contas, todo aquele papo de o que você mentaliza muito acaba vindo até você é um pouco de verdade. Quando eu menos esperava, a oportunidade surgiu. E como eu aprendi com Raphael Draccon, era hora de agarrar essa oportunidade com unhas e dentes. Antes que eu me desse conta de fato, já estava no avião.
Poucos momentos depois, eu estava em São Paulo. Finalmente.
Confesso que o que me levou até lá foi algo muito incrível que merece um texto separado. O que importa hoje é que durante esse fim de semana, eu senti coisas que não estava acostumado a sentir antes. Respirei o ar da liberdade, com a cabeça cheia de certezas de que eu era capaz do que eu quisesse fazer. A cada passo que eu dava naquela cidade, eu me sentia mais abraçado. Até brinquei algumas vezes que era a Nova York brasileira, de tanta diversidade. E também por outro motivo bem especial.
É uma cidade que te abraça e permite que você seja quem quiser ser, e que viva seus sonhos. Um mundo de possibilidades te aguarda em cada esquina.
O único problema talvez tenha sido que o motivo pelo qual eu queria voltar não estava lá. Me doeu aceitar isso antes. Me doeu aceitar isso depois. Como eu disse ano passado, “Confesso que, mesmo sabendo que você estava longe, eu esperava esbarrar em você virando alguma esquina, ou gritando seu nome porque te vi do outro lado daquela avenida famosa”. Até tirei uma foto da tal avenida, tanto pra guardar de lembrança quanto pra manter vivo o sonho.
Antes de dormir, enquanto estava lá, eu só conseguia pensar no tal motivo, e em como eu estava tão perto dele e, ao mesmo tempo, tão longe. Tem outra composição minha que fala disso. Eu estava emocionado por estar lá, finalmente, e também por sentir que estava incompleto. Eu realmente tinha deixado um pedaço para trás, e era incapaz de encontrá-lo de novo.
Doeu. Ainda dói um pouco. Mas a dor fortalece e, uma vez mais forte, posso ir mais longe. Me vejo cada dia mais forte do que era no dia anterior, pois é mais um dia longe do tal pedaço. E uma das coisas que me confortam é saber que se eu consegui uma vez, eu consigo de novo. Guarde minhas palavras quando eu digo. A vida é longa, o mundo é pequeno. A noite sempre tem a luz mais bonita.
E eu vou voltar para essa cidade. Quantas vezes forem necessárias.
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Eu não estou olhando para você #1
Eu não estou olhando para você #2
