Sobre sonhos e a pressão invisível

A sensação era daquelas. A chuva lá fora era daquelas. A vontade inútil e nada razoável de encher a cara e esquecer de tudo - ainda que temporariamente - também era daquelas. Tudo era familiar, ao mesmo tempo que tinha algo de inédito. É difícil gerenciar as coisas quando tudo resolve te pressionar ao mesmo tempo. Aí está a utilidade das válvulas de escape. Você nunca acha que precisa de uma até realmente precisar.
Concordo que pensar muito nas coisas não faz bem, principalmente se são coisas com uma carga emocional muito forte. Eu tento evitar, embora não surta muito efeito. Mas sempre tem aquela coisinha, aquele detalhe que é tão pequeno quanto fatal e faz lembrar de tudo.
Nessas horas, dá vontade de voltar pra aquela cabana - velha conhecida de alguns de vocês -, ver a chuva cair e não ter que me importar com nenhuma dessas coisas ruins. Mas faz parte... Às vezes, até acontece de aproveitar o momento ruim, sofrê-lo, experimentar tudo que ele pode proporcionar. Aquele aperto no coração, aquela ansiedade esquisita ou até mesmo aquela angústia inexplicável que aparece às vezes. Talvez seja uma forma de fazer com que ele passe "mais rápido", ou então que te dê uma boa cicatriz, que te faça lembrar que cresceu sempre que olhar pra ela.
Mas só talvez.
Outro detalhe é quando essa angústia está relacionada com algo que você quer muito a ponto de não abrir mão. Imagine que você tenha um sonho. Agora imagine ter que considerar a desistência apenas por uma rasteira da vida? Será que valeria a pena arrumar outro sonho, talvez diferente, talvez ainda maior? Ou será que o maior benefício viria ao insistir neste mesmo sonho, ignorando um dos empecilhos entre você e ele? 
Quando estiver em uma situação assim, ou parecida, lembre-se: há uma saída. Você pode demorar para encontrá-la, então, sugiro que tenha uma válvula de escape.
Escrever é a minha válvula. E o sentido da minha vida.
Encontre o seu.

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