A realidade chega amanhã

Com o fim das Olimpíadas, o país, lentamente, retorna à sua rotina

Rio2016/Reprodução

Com três sets a zero, o Brasil recebeu a sua última medalha de ouro na Rio2016, depois de tanto suor. No final, acabamos com poucas medalhas, se considerado o desejo nacional. Foram sete de ouro, seis de prata e seis de bronze. Ficamos em 13º lugar, contra os Estados Unidos, em 1º, a Grã-Bretanha, em 2º, e a China, em 3º. No entanto, para o brasileiro, isso não quer dizer nada. Sábado foi dia de emoção. Para muitos, o dia de vingança. Afinal de contas, no futebol, houve grito de vitória: na prorrogação, a Alemanha foi derrotada pela nossa seleção, mas, diferente daquilo que queriam, nem chegamos perto de um possível 7x1.

Não há como mensurar a emoção e tensão que vivemos nesses últimos anos. Desde a entrada da década atual, o clima dos brasileiros e, em especial, dos cariocas, é de festa e esporte, assim como de frustrações. Foi antes mesmo da Copa do Mundo, em 2014, que tivemos a promessa do famoso trem-bala, que ligaria as capitais Rio e São Paulo, o que ajudaria a locomoção durante os eventos. Ficou nos sonhos. Logo depois, o país se tornou em um enorme canteiro de obras, ampliando não somente a infraestrutura das capitais e aeroportos, como, também, construindo estádios superfaturados em locais inimagináveis e com utilidade futura questionável, como a arena de Manaus.

No Rio de Janeiro, as atuações foram ainda maiores, mesmo durante a crise financeira do governo estadual. Não sediamos somente o maior torneio de futebol do mundo, como, também, fomos anfitriões das Olimpíadas. De lá para cá, os desafios foram gigantescos. As obras foram ambiciosas para organizar uma cidade que cresceu de maneira desgovernada, sem planejamento algum. Um dos maiores desafios foi, sem dúvida, a mobilidade urbana. Felizmente, o governo foi promissor e anunciou algo que ninguém imaginaria acontecer tão cedo. Em 2016, a linha 4 daria o ar da graça. Agora temos, enfim, metrô na Barra da Tijuca.

Foi um sucesso, para não dizer emocionante. Milhões de pessoas deitaram e rolaram nas animadas instalações olímpicas da cidade, assim como outras sofreram bastante com as infelizes intervenções para o evento, sem explicações até hoje, prejudicando milhares de famílias. A abertura, que aconteceu no dia 5 de agosto, foi um espetáculo. Milhares de pessoas foram às redes sociais elogiar o trabalho, assim como reclamaram, também, do Galvão Bueno. No dia seguinte, as primeiras atividades, que agitaram a cidade de lá até o dia 21 de agosto, quando a chuva, de maneira bastante teatral, apagou a chama da pira olímpica, no estádio do Maracanã. Foi lindo.

Depois de tanta festa, o Rio de Janeiro descansa. É dia 22 de agosto, feriado, conforme decretado pela Prefeitura. Da janela, pouco barulho é escutado, depois de dias ouvindo gritos de torcida. Nas ruas, o movimento é quase nulo, diferente do Galeão, cheio de turista e delegações em uma longa fila de seis horas de espera, no saguão de embarque do Terminal 2. Entretanto, são os cariocas que mais se aconchegam em seus sofás, debaixo de cobertores, por conta de mais uma frente fria que congela a cidade. É a retomada de mais uma grande aventura, o desafio de levantar o país após dois anos seguidos de recessão econômica. E esse, sem dúvidas, não pode esperar até 2020.