Como a crise afetou a minha vida
Kell Bonassoli
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Acho engraçado como, só dessas duas últimas semanas para cá, vim notar a crise. Talvez eu tenha apenas notado quando fui comprar um remédio que tomo todo dia, e ao chegar na farmácia, de R$ 17, o mesmo foi para R$ 19,90, e como tenho de comprar duas vezes ao mês, no final, pode parecer engraçado, mas essa diferença mínima fez um estrago absurdo, afinal, desde junho eu tento reduzir meus gastos, mas nada com prontidão. E piora ao recordar que entrei no mercado de trabalho agora, ou seja, recebo um salário baixo. Agora, tudo é diferente.

Entretanto, ela tem me feito economizar. Esses dias, cancelei o Office 365, o Evernote Premium — até hoje me pergunto por que eu pagava por isso — , e como não usava mais que 5GB, o Dropbox, que pagava para ter mais espaço na ilusão de que poderia pôr todas as minhas fotos ali, reduzi para a versão gratuita, já que possuo 10GB de espaço e me atende bem. De resto, mantive apenas a hospedagem, pois, com o início do curso de jornalismo, quero voltar a escrever em blogs e ainda, outros projetos, então isto é um investimento, como o pagamento da universidade.

Porém, não tem sido bom. Muitos desses cortes estão sendo feitos na marra. Nenhum foi “ah, será que eu uso isso? Vou me imaginar uma semana sem, e se tudo der certo, fico sem”. Não. Foram “esse está caro demais, vai para o saco”, como foi a minha migração da Vivo para a Oi, me tornando uma alternativa mais viável tanto pelo valor, quanto pelo plano; ou “esse está barato, mas como não uso com frequência, o corte é o destino”, como o Netflix, impactado pela minha rotina apressada, me impedindo de ligar a TV e desfrutar um filme, porém, sempre que preciso, consigo alguma conta emprestada.

Ando percebendo o poder da crise atualmente, e, mesmo estando seguro no meu emprego, sei que, mesmo recebendo no tempo certo, com risco bem baixo de ser demitido, e ainda, já cogitando uma promoção, percebo como precisamos economizar, independente da crise. Afinal, não quero mais um mês puxando o dinheiro da poupança, como fiz no meu passado. Com ou sem crise, isto deveria ser hábito nosso. Ela pode nos atrapalhar, impedir nossos desejos, vontades. Mas podemos causar um estrago bem pior, se não aprendermos a ter freio na gastança e saber escolher apenas aquilo que nos é necessário.