Em que realidade vive a Vivo?
1GB e 50 minutos por R$ 109,90… Como é que é?!

Escolher uma operadora no Brasil é uma dor de cabeça pior que comprar um apartamento. E olha que quando se compra um apartamento, você não deve, somente, pagar os eventuais custos de cartórios, como, ainda, reformar toda bagunça do antigo dono que só encontramos alguns meses depois. Na telefonia, nada é diferente. Todos os dias, milhares e milhares de reclamações são feitas. Só esse ano, gritei ao telefone pelo menos duas vezes ao mês, depois de um ano em paz com a Vivo. Especialmente no início do ano, quando troquei de plano e a Vivo cortava a minha linha todo mês, mesmo com todas as contas pagas.
De todos os problemas, o que mais ouço falar é a respeito da rede. Entre todos os meus amigos, a mais reclamada é a Nextel, de longe, seguido da Claro, e depois, a Vivo. Por incrível, a TIM e a Oi saíram um pouco da boca do povo, como era anteriormente. Ao contrário, ouço muitos elogios, e até por isso, decidi retornar à Oi, operadora na qual, desde 2013, já não sou mais cliente.
Porém, a mais criticada de todas é a Vivo. Não nos impressiona a reclamação acerca dos valores, contudo, ultimamente, além de deixar a desejar — já existem relatos de que a operadora não funciona na Região dos Lagos, por exemplo — , encarece mais a cada ano. Este, não foi diferente. Enquanto as operadoras reduziam a mensalidade e ofereciam planos com pacotes de minutos e planos de dados mais atrativos, a Vivo optou por encarecer, mesmo dobrando a quantidade de dados em alguns de seus planos mais baratos e permitindo acumular dados não utilizados com o decorrer dos meses.
Ainda assim, não é uma medida atrativa, enquanto a concorrência oferece opções mais viáveis e baratas. Por exemplo, no Rio de Janeiro (DDD 21), por R$ 89,00 mensais, o plano pós mais básico da TIM nos oferece um pacote de dados de 2GB mensais e 1000 minutos para ligações locais e à distância para qualquer operadora, enquanto a Vivo, por R$ 109,99, o pacote conta, apenas, com 50 minutos para qualquer operadora, oferecendo 1GB de dados (!) com mais 1GB de bônus (bônus?) — que na realidade, não é uma informação divulgada no site da operadora, embora esteja por aí pela imprensa — e o clássico “ligações ilimitadas para qualquer Vivo do Brasil”.
O mesmo não se destina somente aos planos pós-pagos, embora o novo Vivo Tudo esteja bem adequado à concorrência. Na Oi, no pré-pago, é possível pagar R$ 0,99 por dia por 60MB, 30 SMS e R$ 0,30 por minuto para qualquer operadora; Sendo o mais em conta, R$ 10 por semana, 400MB, 300 SMS e 75 minutos para qualquer operadora; R$ 40 por mês, com 1GB, 500 SMS e 300 minutos para qualquer operadora. Já na Vivo, a vantagem única é de apenas oferecer um bônus (de novo?) de 200MB nos pacotes semanais, sendo um de R$ 6,99 com 200MB e outro de R$ 9,99 com 400MB. Como sempre, ambos contam com o “ligações ilimitadas para Vivo”, e o mais ridículo, o “SMS ilimitado para Vivo” — deve ser por isso que o Amos Genish fala mal do WhatsApp.
Embora exista esta melhoria absurda, as demais operadoras ainda permanecem à frente, mesmo com o atual lançamento, o Vivo Easy. Não há pacotes de minutos, focando apenas no ciclo Vivo para Vivo. Para o cliente pré, que opta por esta opção em busca de economia, não há atrativos àquele que liga para outra operadora, necessitando gastar seus créditos para fazê-las. Tampouco, em qualquer plano, a operadora não se preocupa com tal benefício tão bem explorado pelas operadoras Oi e TIM, e, também, a Nextel, que oferece pacotes de minutos sem causar estragos na mensalidade.
Levando em consideração o meu ciclo social, a Vivo ainda é a principal operadora. E não é para menos. Desde que fui para a Oi, senti impactos na disponibilidade de sinal pela cidade, mesmo a velocidade de download do 3G e 4G sendo superiores às da Vivo. Entretanto, não compensa a velha história de “cobertura em todos os cantos do país” com os valores praticados atualmente, enquanto a Oi me oferece 5GB e 500 minutos para qualquer operadora por R$ 99 (com fidelidade), enquanto, na Vivo, com 2GB e 150 minutos, custava R$ 169,90 (hoje, R$ 185,90). Em tempos de crise, onde o brasileiro procura economizar mais e mais em seus gastos mensais, a Vivo tornou-se a pior opção entre as (poucas) operadoras. E as reações não andam sendo nada positivas.