Há motivos para amar o Rio, embora exista mais motivos para odiar o Rio

Ou um desabafo de quem mora aqui há 20 anos

E a razão existe no seu texto, Bea, com toda certeza.

Comecei a sair um pouco mais do Rio para regiões não frequentadas por mim ainda no ano passado. Aos poucos, fui vendo como isso aqui é, e, me desculpe o termo, mas é uma merda. Mas vamos lá e com calma.

Antes de mais nada, eu amo essa cidade. Eu nasci aqui e não posso negar o meu amor, pois, é aquela história: pode ter todos os seus problemas, mesmo assim, aquela casa é o seu lar. E é o que acontece e me segura, além do fato de existir um espírito nessa cidade que só quem mora há anos ou nasce por aqui, sabe como é. Ela me acoberta de um jeito que acredito ser difícil de acontecer em outro lugar. Por incrível, a gente se preocupa um com o outro, quando convém. Duvido que em algum outro lugar façam que nem aqui: às 13h, estão os amigos sentados no bar, bebendo cerveja. Às 14h, chega mais uma galera. Às 15h, alguém traz uma churrasqueira. Às 16h, chega a carne. Às 17h, tem o samba. E não importa se você não tem dinheiro: é tudo na amizade, na camaradagem. Quantas vezes eu não paguei a rodada dos meus amigos (até mesmo desconhecidos cativantes!) e quantas vezes não aconteceu ao contrário, isso tudo naturalmente, sem nem mesmo falar “é por minha conta”? Aqui não tem essa de “depois a gente acerta”. Pagou a cerveja do futebol e pronto. Fim de papo. É um espírito até coletivo; é um espírito de amizade, família. A gente se corresponde. Nós temos os famosos “amigos instantâneos”: no ano passado, por exemplo, eu estava em um bloco na São Salvador, em Laranjeiras, e de repente, nossa roda de amigos entrou acidentalmente em outra roda. Os caras tinham uma garrafa de vodka e a gente estava com cerveja. Oferecemos uma cerveja e eles deram duas rodadas de vodka para a gente. Parecíamos melhores amigos, brincando e se abraçando que nem loucos. Quando passou um tempo, nem nos olhávamos mais, mas até hoje a gente fala “poxa, o cabeludo [dono da vodka] salvou o dia. Ele é foda”. A mesma coisa em diversos lugares. Temos o poder de chegar em um estabelecimento, cumprimentar um amigo de um amigo e já ter uma amizade formada. Quantas vezes não conheci alguém e, em segundos, já falávamos como amigos íntimos, até com piada interna? Isso já aconteceu no ônibus, pra se ter uma ideia.

O povo carioca é marrento, mas é amigo. Aqui a gente tá pouco se fudendo para o próximo, mas quando a gente se importa, você é o cara, o mais foda do mundo. É a história do gringo: a gente paga caipirinha para os gringos até alemão cair duro no chão e eles acharem tudo bonito, porque… cara, sei lá, não tem motivo, mas eu acredito que o motivo é aquele da galera querer atenção e os gringos nos oferecem (muito) isso — até hoje, só conheço um americano que tenha ódio do Rio, de resto, é amor puro. O problema é que a gente se acha “os picas” perante aos outros estados do Brasil, e isso é terrível. Também, pudera: a beleza natural no meio de uma cidade grande é inexplicável, o que nos dá um pouco de vontade de agir assim. Eu moro próximo ao Jardim Botânico. Nos finais de semana, minha paixão é acordar cedo e ir ao Parque Lage, e na moral, é lindo demais. Como fotógrafo, digo que é complicado não achar lugar para fotografar por aqui. Apenas tenho dificuldade para encontrar ângulos diferentes. Só que a gente tem que entender uma coisa: não é porque é lindo, que é melhor. Fui para Gramado em janeiro do ano passado. Aquela é a cidade mais linda que já fui até agora (eu nunca saí do Brasil). Quando eu fui de Gramado para Caxias do Sul, aquela serra é incrível. Eu me sentia no meio de uma estrada europeia subindo montanhas e montanhas, até chegar em um lugar bem no meio do nada. Era como cinema. Só faltava a neve — o que, se fosse inverno, poderia acontecer. Teve o Parque do Caracol, com a cascata, e muito mais. O povo daqui pode dizer “ah, mas a praia daqui é maravilhosa!”, mas e daí? Cancún tem uma praia cristalina que eu não posso afirmar nada, mas com certeza deve superar qualquer água de Arraial do Cabo. Tem o Mediterrâneo. Na boa, eu não trocaria as praias da Grécia e da região da Calábria por uma praia do Rio ou por qualquer outra cuja água de coco não seja uma vergonha na cara e, se você por acaso vier falando em inglês, a inflação dá um salto mágico que faz R$ 5 custar R$ 10 — inclusive, por eu ser branquelo, meio loiro e ter olho claro, acham que sou gringo, às vezes, e tem até uma história engraçada de quando, durante a Copa, acabei com a graça de um ambulante por causa disso.

A gente não deveria ter marra. Deveria ter vergonha. Faz menos de um mês que acabei de voltar de São Paulo e estou com a mesma sensação que eu tive quando voltei do Sul: vergonha e desaprovação. Eu pisei no Aeroporto Santos Dumont e foi tudo ok. Saí dele, decidindo não ir de Uber e nem de táxi (ia para um lugar bem longe). Às 22h, tinha um ônibus parado ali fora, na entrada. O ônibus dizia que iria para o Castelo, mas onde e como? Daria mil voltas? Passaria na Lapa? O quê? Eu nunca soube que aquele ônibus existia e queria saber o ponto final dele. Além de ter ficado 15 minutos esperando o motorista ter a boa vontade de entrar no ônibus, ele não sabia me responder o itinerário! Eu perguntei se ele faria ponto final no Menezes Cortes: ele disse que não. Perguntei se iria passar na Graça Aranha: ele disse que sim. Fui confirmar: “então ele pega a Antônio Carlos, pega, sei lá, a Rua da Assembleia, Rio Branco e depois a Graça Aranha?”. Resposta: “não, ele não passa na Graça Aranha” “então vai para onde?” “não sei” “ué, você não é o motorista?” “ah, cara, te vira”. Essa foi a boa vontade do motorista. Horas mais cedo, fui da estação São Judas ao Aeroporto de Congonhas de ônibus e o motorista e o cobrador foram bem simpáticos, me orientando durante o caminho inteiro. O cobrador até ficou conversando, tranquilão. Piso aqui e tem um motorista da Real (ou melhor, desse cartel descarado chamado de “consórcio”), inclusive, com um papel atrás do banco dele “Por favor, não me chame e não me irrite”. Ora, mais? Eu sei que a vida de motorista é foda e todo mundo sabe dessa história, mas o que a gente tem a ver com isso? A mesma coisa de qualquer serviço nessa cidade. Tirar um RG é uma dor de cabeça. Os caras não sabem nem escrever o meu nome! A inteligência suprema em análise de nomes estrangeiros e nacionalista-defensor da língua portuguesa-brasileira do Detran disse que o “De” do “De Blasi” é uma preposição, logo, é minúsculo e vai ficar dessa maneira do sistema, que ele não iria mudar isso. Fui questionar que o nome era italiano e não brasileiro, que constava assim nos registros, inclusive na certidão de nascimento, e recebi um lindo “e daí?”. Sim, e daí. Foda-se. É o que essa cidade mais sabe falar: foda-se. A gente fala “foda” pelo menos uma vez a cada hora, mas nada mais é que um pretexto para o “foda-se” que reina dentro de cada carioca e a gente ainda se sente na superioridade. Superioridade de quê? De ter uma cidade cuja qualidade de serviço não existe?

As coisas aqui parecem que são atendidas pelo 103 31 (atendimento da Oi). Só faltam te xingar. É tudo na má vontade. É tudo para depois, e quando feito, é mal feito. Não pode fazer nada na hora, é tudo problemático. Já viu uma cidade que possui um restaurante cuja mesa está suja e o garçom, quando solicitado para passar um pano, te responde “ah, daqui a pouco eu limpo”, e acaba não limpando? Aqui tem, e ainda te exigem os 10%, e ai de você querer não pagar! Faz-se um escândalo até você dizer “eu vou ligar para a polícia”, que... bem, não se pode confiar e também não faz nada — se você liga para a polícia do Rio para esses casos de abusos em estabelecimentos comerciais, os caras ainda te chamam de “frouxo”, “viadinho” e mandam você “virar homem e resolver o problema que nem gente”. A gente não pode nem confiar no metrô! No mesmo trilho, duas linhas para sentidos completamente diferentes e os seguranças estão literalmente cagando para você. Se você acorda e quer ir para o trabalho, quando dá por si, está no ponto e seu ônibus não existe mais e a substituta com certeza vai ser a linha mais lotada do seu bairro com ônibus velho e sem ar condicionado. Agora tem esses tais de Troncal 1, 2, 3, 4, 5, 666, que fez desaparecer um monte de linhas que ligavam a Zona Norte (subúrbio, vamos dizer assim) à Zona Sul (área, digamos, nobre da cidade, mas que tem uma quantidade enorme de escritórios e shoppings importantes). Achei que nunca ia dizer isso por conta das histórias dele no verão — durante essa época, ele é foco de escândalos de pivetes e crackudos embarcando ilegalmente no coletivo e roubando todo mundo no caminho — , mas que saudade vai me fazer o 474. Isso porque era um dos únicos ônibus da Feira de São Cristóvão ao Leblon, passando pelo Centro, além de ter ar condicionado. E agora? Sumiu! Ainda tem o 484, o clássico 433 (gente, o 433!) e ainda vão cortar o 410. Meus amigos! Quão conhecida essa linha é pela idade, pelos pilotos de fuga, por sair da Tijuca, passar no Catumbi, na Lapa, e acabar na Gávea, ou melhor, na PUC? É uma das poucas linhas que sai do coração da Tijuca (Saens Pena) para a PUC, e vão cortar. E agora?

Daí você pergunta: “por que não reclamam de tudo?”.

Os cortes dos ônibus começaram a acontecer no ano passado, o que causou uma confusão enorme. De repente, a Prefeitura percebeu o óbvio, que nos bairros de praia da Zona Sul, especialmente em Copacabana, tinha muitas linhas de ônibus que iam para o mesmo lugar, saindo, até, do mesmo lugar. Para diminuir o trânsito, cortaram 30% da frota da região, colocando linhas novas e fazendo esquemas de integração em pontos “estratégicos” da cidade. Conclusão: diversas linhas desapareceram ou foram encurtadas. Bairros como Olaria, Penha, Grande Méier, entre outros, que possuíam linhas diretas para Copacabana, Ipanema e Leblon, perderam seus ônibus, que passou a obrigar a pegar três conduções a quem pegava duas linhas de ônibus para chegar ao destino final, acima do previsto nas integrações entre ônibus do Bilhete Únicos, que permite pegar 2 ônibus pelo preço de um no período de 2h30. Em reação, o Ministério Público mandou parar (sim, exatamente) com os cortes, mas a Prefeitura não deu bola: no começo de janeiro, começaram a segunda fase dos cortes, afetando Laranjeiras, Botafogo, Humaitá e Jardim Botânico, além de outras linhas. O 484, que ligava Olaria à Praça General Osório (Ipanema), virou 284, indo até o Centro. O 474, que ia até o Leblon, só vai até Copacabana. E o subúrbio só ficando isolado, e isolado, e isolado…

No Rio, nem a Prefeitura dá respeito às ordens. Tampouco, o Governo do Estado, entre outras entidades. Você fica a mercê, e se precisa da polícia, desculpa, mas de novo… foda-se. Em dezembro, fui assaltado. Roubaram meu celular de noite, que já começa errado porque não vejo carro da polícia por ali há, pelo menos, seis meses (!). Queria ir à delegacia para abrir um Boletim de Ocorrência e meus amigos me orientaram a abrir pela Delegacia Virtual, porque não iam fazer nada, ainda mais no período entre Natal e Ano Novo, e foi exatamente o que eu fiz. Quando eu abri o email dois dias depois, estava lá: favor, refazer o pedido, pois os dados foram inconsistentes. Ora, como assim? Relatei o assalto. Mas não era a explicação. Era tudo, inclusive o endereço. A mesma coisa no Arpoador, o símbolo turístico da cidade. Eu estava na pedra, deitado, e só ouvi dois pivetes abordando dois caras que estavam atrás de mim. Desci a pedra correndo. Quando fui contar ao policial sobre o caso, eles disseram “é assim mesmo” e voltaram a conversar. Quero ver se você criasse um escândalo ali. Levantavam o peito na hora e diriam que é “desacato à autoridade”. Que autoridade? Até onde sei, nenhum policial manda em mim, tampouco qualquer político, e pior ainda, funcionário público. Vão arrumar o que fazer, digo, vão fazer o que devem fazer, porque a violência do Rio é tão natural, que daqui a pouco vou fazer seguro para as minhas Havaianas!

Nada dá para se levar a sério, nada. É tudo caro, mal atendido, mal servido. Até mesmo nos lugares caros — estou falando daqueles gourmets, porque tudo aqui é caro e nem preciso detalhar isso, porque não basta a carga de impostos, sempre tem o “visionário” que encarece com a desculpa de que “a atividade turística é muito alta”. Vá numa pizzaria top da cidade. Você vai ser mal atendido. Poucos lugares se salvam. A minha sorte é que no bar que frequento, eu tenho um “garçom amigo” — sim, a gente faz amizade com garçons — , que além de me atender bem e caprichando nos pedidos, quando o movimento é baixo, fica batendo um papo legal comigo e meus amigos. Mas isso não é certo. Eu sou um privilegiado, por ser cliente daquele estabelecimento há anos. Não que o lugar atenda mal, pelo contrário. Entretanto, em diversos lugares, se você não tem “um garçom amigo”, você vai ser mal atendido sim e dane-se. Ou melhor, foda-se. Olha aqui ele, de novo: foda-se. Simples. Já é até normal falar isso.

É aquela situação: eu amo ser carioca. De verdade. Existem certas coisas que a gente resolve que, pelo que acredito, ninguém resolveria. A criatividade aqui é certa. Na Copa, o que teve de improviso… e era bom e bonito! Porque era simples e certeiro ao sucesso. A gente tem essa habilidade: se está ruim, tentamos arrumar do nosso jeitinho e dá certo. É o que eu acho cômico com os ônibus daqui e achei estranho quando uma amiga de São Paulo ficou morrendo de medo porque pegamos o ônibus no meio da rua, porque não precisamos de ponto para pegá-lo, mas somente em certas ocasiões. Se está em um sinal, tudo bem, o motorista abre a porta. Caso esteja andando, aí é diferente. Ninguém entra e ninguém sai até chegar no ponto… quer dizer, acontece, mas enfim. Nada no Rio é certinho. Na verdade, quase tudo é errado, mas às vezes, a gente usa isso como benefício. A gente tem o poder da gambiarra que é incrível! Quando alguma coisa dá problema, a gente sempre dá “aquele jeitinho” que resolve. O problema é que isso passa do limite e, literalmente, tudo fica no “jeitinho” e a graça acaba: fica escroto.

O problema é que eu amo ser carioca, mas ao mesmo tempo, eu odeio. Somos um povo feliz, alegre, espontâneo. Em qualquer lugar que eu vá, depois que me zoam por falar “naisceu” ao invés de “nasceu”, de zoar o meu chiado, o pessoal ama, porque somos assim: ou amam ou odeiam. Sabe aquele pessoal super simpático, que está atolado de problema, mas mesmo assim, tá rindo à toa, tá fazendo piada com todo mundo, e quem vê, pensa que está de boa com a vida? Somos nós! Me sinto privilegiado, pois nasci em uma cidade que eu consigo ir para um lugar hiper-natureba para fugir dos meus problemas. Eu tenho crise de ansiedade, ou seja, vira e mexe, eu acordo como se estivesse revirando minha roupa inteira atrás de moedas para adentrar no barquinho do Caronte, me escondendo e borrando de medo ao ver o Cérbero em algum canto. Ir ao Jardim Botânico ou Casa de Rui Barbosa com o fone no ouvido e um livro é um alívio enorme. Sou espiritualista e acredito nessas paradas de energia: não somente por ser filho de Iemanjá, amo a praia pois ficar por lá é como uma sessão de descarrego. Amo sentar na areia ou no Arpoador no fim de tarde para meditar. Ou como no ano passado, quando eu e um amigos estávamos querendo matar uma pessoa com as mãos de tanto problema e com apenas um ônibus que passa na porta da minha casa, fomos parar em uma trilha maravilhosa. Tudo isso é um alívio enorme. O Rio me oferece isso, além da arquitetura portuguesa fantástica em bairros antigos. O Centro do Rio é lindo, mesmo mal cuidado. Trabalho próximo à Praça Mauá e confesso que é uma rota de fuga na hora do almoço, na hora do estresse. Gosto de pegar a Gonçalves Dias e ir andando até chegar na Colombo, ou melhor, Casa Cavé! Meu Deus! Que doces portugueses! Mesmo assim, eu tenho raiva. Não! Eu tenho tristeza no meu peito. Como é que pode uma cidade ficar assim? Poderia ser uma cidade fantástica! Mas não é o que acontece. Sabia que abaixo da estação Carioca tem uma plataforma de metrô abandonada, que seria para a Linha 2, que ao invés de ir da Pavuna ao Estácio, iria direto para a Carioca? Ao invés de continuarem a linha, que inclusive, foi projetada para ter trens com mais carros, preferiram fazer uma gambiarra que cria trânsito nas linhas do metrô — é exatamente o que estou falando, sim, trânsito! — para colocar a Linha 2 na Linha 1 entre a Central e Botafogo. O mesmo em Jacarepaguá: bairro de classe média e já comporta a classe média alta, que desde que me conheço como gente, luta para ter metrô no bairro, e até hoje nada foi sucedido. Só vai ter na Barra que é o bairro vizinho, porém, poucos sabem, mas a Linha 1, que liga a Uruguai (Tijuca) à General Osório (Ipanema), começaria na Freguesia, em Jacarepaguá! Nada aqui dá certo. Tudo aqui dá errado. O poder público não está nem aí, coisa tão verdadeira que preferi nem abrir espaço para falar de tão vergonhoso que é. Paes não é prefeito; ele é um perfeito tocador de projetos e marketeiro, entregando tudo nas mãos dessas construtoras que estão na Operação Lava-Jato. Pezão é um enrolão, assim como Cabral. O legislativo me dá vontade de rir! Aquilo é um ringue do Picciani, um corrupto de cara lavada com bochechas de pitbull. É uma comédia, mas uma comédia triste. Você ri para não chorar, infelizmente. A cada dia que passa, essa cidade parece que só piora e nunca vai ter progresso, e isso me deixa triste demais. Parece que o Rio está na CTI, mas como está em um hospital público, tá fadado à morte. E temo que ninguém se importe em salvá-lo.

Perdão aos palavrões, agressividade, tudo mais, mas isso é um desabafo que estou segurando há uns meses. Desde que comecei a viajar, o Rio deixou de ser um lugar perfeito como eu sempre disse, o que já acontece com muitos cariocas que, infelizmente, amam esse lugar, como eu, mas já chegaram ao seu limite. Não falei nem 10% do que eu deveria falar, mas se eu falasse de tudo… bem, ia fazer uma bíblia. Sei que todas as cidades têm problemas, mas aqui o buraco já é mais embaixo. O caos do Rio se tornou tão normal, que já não é espanto quando acontece. Quando alguma coisa acontece, por exemplo, um homicídio, ninguém se comove. O crime se tornou tão normal que a reação é sempre a mesma: “que absurdo!”, e fim. Infelizmente, o poder público deixou tudo à sorte, e a população também. Ah, Rio, eu te amo… mas tá foda. Desculpa de novo, galera.