Os celulares derrotaram os computadores?

De praticidade aos idosos, os computadores nada possuem. Será que perderam esta guerra ou ainda há chances?

Achei engraçado quando saí do banho, em plena manhã de domingo, e ouvi um som conhecido, porém, desconhecido. Estava tocando Elymar Santos em algum lugar. Não suporto suas músicas, embora seja bastante apreciado pela minha vó. Vira e mexe, ela fala dele. Mas jamais havia escutado alguma música do próprio a não ser vindo do rádio ou da televisão, com algum DVD que ela ganhou de algum amigo ou parente.

Acontece que o som vinha de um aparelho bem similar ao nosso cotidiano. Sua origem era de um celular. Recentemente, meus avós fizeram um upgrade. E quando falo de upgrade, é sério. Desde 2013, meu avô já está familiarizado com smartphones. Um pouco antes, havia comprado um notebook, o que não deu muito certo. Seu uso, de fato, foi mais adiante com smartphones, e mesmo quando a gente tenta fazê-lo utilizar o computador, não obtemos muito sucesso.

Com a minha vó demorou um pouco mais. Aproveitamos o ano passado para comprar um Moto E para ela. Celular, para ela, havia apenas uma serventia: ligações. E é bom destacar a quantidade excessiva de minutos ligando. Lembro quando era criança e via o meu avô fazendo as contas do mês. Eram folhas e mais folhas do telefone. O mais incrível é que, às vezes, uma folha era apenas sobre um dia. Ela sempre teve dificuldade de lidar com aparelhos eletrônicos e nem sabia o que era SMS. Não adiantava de nada explicar a ela como usava a câmera de um celular da Samsung com flip que ela teve por um bom tempo. Tampouco, o rádio. Ela sempre tinha dificuldade e vinha perguntando como fazia, e isso no mesmo dia.

Hoje, isto já está diferente, e é algo muito importante. Ao todo, observo como pais idosos e avós de amigos e parentes meus estão adquirindo smartphones ativamente e aprendendo a utilizá-los com grande facilidade. Uma grande maioria sempre adquire um Android de baixo custo e, depois de um tempo, já se encontra na necessidade de ter um aparelho com mais potência. É o caso da minha tia. Ela jamais havia tocado em um computador. Ano passado, ela adquiriu o clássico Moto E. Mês passado, lá estávamos nós em uma loja escolhendo um aparelho. Compramos um Moto G.

As explicações para tais upgrades são variadas. Ao questioná-los, muitos, em primeiro lugar, começam a reclamar sobre a câmera e o aplicativo do Facebook (sic), devido aos seus travamentos contínuos. E não é para menos. Quem carrega câmeras em uma viagem? Até amigos fotógrafos, que tanto questionam qualidade de suas imagens, levam apenas seus iPhones, e, muito raramente, uma mirrorless com uma lente simples. Somente o básico e necessário. Os idosos, assim como nós, querem a praticidade. Carregar apenas um aparelho no bolso, que dê o mapa de uma cidade desconhecida, uma câmera que atenda suas necessidades e possibilite contato expresso com quem você está viajando, especialmente em viagens em grupo, é um atrativo a este público, e não somente para eles, como a maioria dos usuários de smartphones nos dias atuais.

As novas tecnologias de produtos móveis andam trazendo tais praticidades, e ainda, a inclusão digital. Acima de tudo, elas apresentam a simplicidade, quebrando antigos preconceitos e barreiras de acesso ao mundo dos bits e bytes. Mesmo assim, computadores não possuem uma experiência muito atrativa àqueles que nunca tocaram em um. Tirando a utilização do teclado por ser a mesma de uma máquina de escrever, o resto é bastante complexo aos idosos. Utilizar um mouse não é prático. Obviamente, é demasiadamente mais fácil tocar na tela e escolher o que quer, inclusive, quando o teclado é utilizado. E o pior de tudo: eles não vão e nem querem gravar endereços de sites, como é exigido em computadores. De manhã, minha vó estava assistindo um show do Elymar Santos pelo YouTube. Ela fez encontrou isto tudo sozinha. Para encontrar em um computador, ela teria que abrir o navegador, saber o endereço do YouTube e só assim, digitar o que ela deseja e procurar o conteúdo no site, tudo pelo mouse. Pelo celular, com o indicador, ela apenas tocou no ícone do YouTube e procurou o que desejava. Tudo por aplicativos de fácil acesso e utilização. Simples assim.

Assim como a tecnologia, as interfaces vão melhorando (e muito!) com o tempo, em conjunto aos ícones, expressando uma linguagem visual de fácil discernimento a qualquer público, diferente ao que alguns engenheiros da equipe Macintosh acreditavam em um passado não muito distante. Talvez este seja o beijo da morte dos computadores que conhecemos por algumas décadas. Eles não estão sendo intuitivos e, tampouco, tornaram-se práticos nos últimos anos, sendo apenas recordados por pessoas que dependem da tela e teclado para trabalhar. Porém, até isto pode mudar, com a vinda de produtos como o iPad Pro e Surface, trazendo hardwares e softwares potentes aos trabalhadores de plantão. Ou os computadores se adaptam à realidade atual ou vão acabar que nem os celulares de flip, virando objetos de polêmicas em clipes da Adele por serem antigo e já esquecidos.