Criogenia e o papel das marcas no despertar de humanos em 2300

Estava lendo um texto da revista Mundo Estranho sobre criogenia e quantas pessoas existem congeladas no mundo, aguardando que a tecnologia se resolva, para que eventualmente, sejam trazidas de volta a vida em cerca de 250 anos.

Continuando o ritual das músicas, nesse texto a recomendação é da trilha sonora do filme A Chegada.

Vou me poupar aqui de discorrer sobre o processo de criogenia.

Para essa analogia, não será necessário conhecimento profundo sobre as minúcias dessa complexa (possível) solução. Mas ao final dessa publicação, você pode encontrar o link para o artigo original e entender melhor o funcionamento.

Porém, para um melhor entendimento dessa relação, é importante ter algumas coisas em mente:

- Pensemos em um cenário daqui 250 anos.
- Analisemos o papel das marcas nesse contexto.

Antes de tudo, vamos entender o que as previsões nos prometem até o século XXIII. Lembro-me de um texto, que creio ser do Flusser, que diz que não é possível viajar sem se perceber o deslocamento. É necessário perceber o trajeto para perceber que se trocou de lugar. Pois as nuances intrínsecas e escondidas nos ajudam a construir a distância cultural de hoje para o futuro.

Algumas percepções parecem bem absurdas e com certeza tem muito mais coisas para listar aqui. Mas por exercício de construir uma imagem, certamente esses itens abaixo são suficientes. E as referências bibliográficas estão ao final da publicação.

Ainda no Século XXI

- As premissas são que já seja possível transferir nossa consciência para outro corpo ou interface.
- Missão tripulada a Phobos, uma das luas de Marte.
- O Islam se torna a principal religião do planeta.
- Religiões quase não existem entre os povos europeus.
- O estudo completo sobre inteligência artificial (AI100, Stanford), iniciado em 2015, será concluído em 2115. Imagine o que isso será capaz de contribuir para a tecnologia.
- No final do século, o Oeste da Antártida será o local de mais rápido crescimento.
- Missão tripulada para o sistema de Saturno
- Vários idiomas deixam de existir.
- 80% da floresta amazônica terá sido devastada e a temperatura sobe 4 graus.
- A média de carga horária de trabalho semanal cai para 20 horas.
- Energia de fusão nuclear é democratizada.
- O primeiro elevador espacial se tornará operacional.
- A camada de ozônio deve ser restituída completamente.
- Construção de um túnel transatlântico é iniciada.
- Androides são utilizados normalmente pela força policial.
- Transição brutal na política e economia.
- Prédios auto-construtíveis 100% feitos com nanotecnologia.
- A primeira geração de espaçonaves com propulsão por antimatéria surge.
- Primeiros bebês projetados são uma realidade para milionários.
- Alguns humanos serão mais não-biológicos do que biológicos.

Século XXII

- Cidades em forma de ilhas flutuantes nos oceanos.
- Marte será terraplenada para habitação humana.
- Campos de energia serão usados pelos militares.
- Controle humano sobre tsunamis e terremotos.
- Upload da consciência vira mainstream.
- Assentamento na lua começa a ser construído.
- Cidades automatizadas.
- Morte em massa dos primeiros humanos bicentenários.
- No século XXII pelo menos 7 importantes capsulas do tempo serão abertas para reavaliar o progresso na terra.
- Segundo as definições de Nikolai Kardashev, até 2200 a humanidade terá se tornado uma civilização de Tipo 1. Significa que seremos capazes de captar, armazenar e usar toda a energia solar que atinge a terra.

Século XXIII

- Não é uma previsão necessariamente, mas sim uma projeção de visão de futuro. A maioria dos filmes do Star Trek sem passa nos séculos XXII e XXIII. Vale a pena pra pensar em como as coisas vão parecer e como nos relacionaremos com essas tecnologias.
- Segundo a ONU, até 2300, a maioria dos países desenvolvidos terá uma expectativa de vida entre 87 e 106 anos.
- Também pela ONU, a expectativa é que a população mundial seja de 10 bilhões de pessoas.
- Segundo Eric Schmidt, em 2300 o Google terá terminado de compilar e tornar buscável, toda e qualquer informação disponível no mundo.

Atingimos a imortalidade, dominamos o sistema solar, controlamos tudo por inteligência artificial, produzimos seres humanos semi-biológicos.

Em 300 anos viraremos os deuses que nossos antepassados inventaram.

Agora, imagine a dificuldade dos seus avós em operar um Smart Phone e reflita sobre quão difícil seria acordar com esse tipo de cenário acontecendo, sem conhecer ninguém, num novo idioma, com seres humanos modificados e acelerados. Seria como trazer um dos primeiros seres humanos para os nossos dias de hoje.

Porém, quem sabe alguém resolve essa situação também e, como em Matrix, você se atualiza através de dados imputados no seu cérebro.

Divagações a parte, acordar no futuro é basicamente viajar no tempo sem viajar no espaço. E sem entender esse espaço que mudou com o tempo, no despertar, a corrida vai ser para repor a bagagem necessária que não foi consumida nesse tempo adormecido. Resumindo, por mais que você seja esforçado e cabeça aberta, a sensação de estar perdido ou ter dificuldade em entender que aquilo é uma realidade deve ser imensa.

Falando de Branding, imediatamente temos um problema a ser resolvido:

Como, através da inteligência artificial em abundância e outras saídas bio-tecnológicas, os governos, pessoas e marcas devem se preparar para atender e instruir pessoas adormecidas há séculos?

É uma previsão segura que essa preocupação apareça e precise ser resolvida. As marcas terão um papel fortíssimo na atualização cultural desses indivíduos. Seja alimentando nosso cérebro com dados durante o período em criogenia, ou ainda, depois.

Pense que até lá podemos ter criado Branded Content com a temática “Future for dummies”. Centros incubadores ou spas de transição temporal. Processos educacionais, quarentena, centros de apoio e integração, programas sociais e inclusive mercados especializados em recém chegados no futuro. Além de parafernalhas inúteis ou cômicas: “Estive no passado e não lembrei de você.”

— Tu dum! Tsssssss…

Ser vintage ou hipster em 2300 vai ser bem mais estranho do que hoje.

Inclusive, dependendo como andar o despertar de consciência da humanidade nesse futuro, as marcas podem auxiliar em uma função social importante: amparo e inclusão.

O problema? Preconceito.

Imagine a inconveniência de gastar uma pequena fortuna para garantir a vida eterna, e na recepção da sua segunda vida te presenteiam com olhares depreciativos. Te rotulam de neandertal e parabéns: você vive agora às margens da sociedade. O dinheiro, a política, o mercado, tudo mudou.

Mas apesar dessa projeção de cenário distópico, é bem provável que pelo menos a estrutura para a recepção desses “neo-proto-homo sapiens” esteja bem resolvida e quem sabe esses empasses de grupo.

O curioso dessa análise não fica tanto em sua conclusão, como observamos no início, mas sim na jornada. Na compreensão sistêmica que as marcas tem com o futuro da humanidade e, quem sabe futuramente, também com outras espécies de vida inteligente.

E agora, o que você faz?

Ora, se isso será feito, algo será pensado em relação a isso. Já é possível estudar algumas ideias e já se fala (pouco) sobre o assunto, mas o objetivo aqui é incitar a reflexão sobre o quanto queremos participar dessa assustadora e intensa expreriência. Afinal, pode ser que até o final de nossas vidas, alguns de nós possamos escolher se queremos isso com uma alternativa à morte convencional.

Chegará um dia em que haverá oportunidade de escolher além enterro e cremação. A criogenia poderá ser a nova forma de morrer. Ressucitaremos e poderemos ascender aos céus, via elevador espacial ou viajar para outros planetas.

Não por quesitos religiosos, mas sim por um viés de analise e relações históricas, trabalharemos para ter poderes deicos, proféticos e messiânicos. Fora todas as referências citadas na Bíblia, é na cultura oral que reside um mantra dessa ambição que ecoa a 2 milênios. A oração do Credo.

“… foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.”

Não é a toa que as religiões morrerão. Não precisaremos mais de Deuses.

Refs:
https://mundoestranho.abril.com.br/ciencia/existem-mesmo-pessoas-congeladas-para-ressuscitar-no-futuro/
https://en.wikipedia.org/wiki/23rd_century
https://en.wikipedia.org/wiki/22nd_century
http://www.futuretimeline.net/index.htm#timeline
https://en.wikipedia.org/wiki/Kardashev_scale

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.