UM POUCO MAIS DE DUAS HORAS COM R.

as tuas curvas
tão exatas
incidindo
sobre minhas esquinas
tão vazias
como concha protegendo a solitária pérola
em suaves amavios
da maciez 
da tua pele
durou um pouco
mais de duas horas
as pessoas lá fora
sem saber
o que são
o que querem
enquanto eu
em um curto espaço de tempo
eterno
seguia o compasso
de tua respiração
como se descobrisse ali
o relógio da felicidade
que
durou um pouco
mais de duas horas
e quando você foi embora
vi que aquele espaço
ausente na cama
ao meu lado
era o espaço vazio do amor
porque poemas de amor
terminam com ausências
ou tragédias
se não fossem assim
seriam poemas de felicidade
não de amor

Poema: Bruno Latorre

Fotografia: Erwin Olaf

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