Da janela

Da janela posso ver muitas coisas. Vejo o mundo (o meu pelo menos) e vejo você, que bem poderia fazer parte dele.

Da janela posso te ver todas as manhãs tomando chá e mexendo avidamente no celular. Não consigo entender como as mulheres não percebem o poder de um rabo de cavalo e um moletom.

Da janela, mesmo estando com outra, meus olhos buscam você. Sinto que estou te traindo. Me traindo.

Da janela consigo ter a noção que não sei seu nome, profissão ou filme preferido. Não sei sua idade, comida predileta ou seu signo. De lá só consigo saber que gosto de você.

Da janela te vejo com outro. Sinto uma mistura de ciúmes e inveja. Mas por que? Você nem me conhece, não me deve satisfação.

Da janela penso em gritar, chamar sua atenção de algum jeito. Mas como posso atrapalhar sua leitura tão serena? Seria muito egoísmo.

Da janela te vejo chorando. Me sinto um inútil de não ter o poder de te consolar e mostrar que comigo do seu lado, choro só se for de alegria.

Da janela o tempo passa e nada muda. Algumas vem e outras vão, mas você sempre fica.

Da janela, quando eu menos espero, você lança um sorriso tímido e acena para mim.

Da janela eu ganhei meu dia.

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