“Desiluzão” (A tristeza da era digital)

Ela era, sem dúvidas, o sinônimo de beleza para João. Morena da pele clara, olhos azuis e um corpo sem excessos, mas digno de aplausos.

Se conheceram por acaso, nas idas e vindas do metrô, no caos dos horários de pico. Esbravejavam quase que simultaneamente porque mais uma vez chegariam atrasados nos respectivos trabalhos, e de como sofriam com as dificuldades diárias.

Os olhares se cruzaram, a conversa fluiu e contatos foram trocados. João desceu uma estação antes, eufórico de ter encontrado, com toda a certeza, o amor de sua vida. Ela, por sua vez, já pensava nos nomes dos 3 filhos, onde iriam morar e se ele gostava de gato ou cachorro.

Sem perder tempo, João mandou mensagem para conferir o número (tinha que conferir se não era uma pegadinha) e dizer o quanto aquele encontro inesperado tinha sido obra do destino e do quanto ele tinha se encantado por ela.

Rapidamente seu celular vibrou, era ela. Coração disparou, tela desbloqueou e seus olhos ávidos pela resposta imaginada foram de encontro com o destino.

“Concerteza! Ispero ti ver di novo, linduh”

O coração parou, o contato excluiu, e assim terminou a mais rápida e triste história de amor dos tempos modernos.

Like what you read? Give Bruno Lozano a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.