Amanhã, assistirei o CBLoL de casa

Bruno Luis Pereira
Sep 7, 2018 · 3 min read

Quando, na quarta-feira (05/09) o Toboco postou essa foto dos casters no aeroporto prestes a ir para Porto Alegre para a final da Segunda Etapa 2018, eu quase chorei. De verdade. Bateu no alvo. A foto é muito bacana, e foi repostada pelos outros casters na ansiedade por uma final que promete altas emoções (KaBuM x Flamengo, 08/09 às 12h, não vai perder hein!). Cada vez que eu via, sofria um pouquinho mais.

Casters no aeroporto, rumo a Porto Alegre! (Foto: Algum deles, já que todos postaram)

O motivo era totalmente egoísta: será o primeiro evento oficial de League of Legends no Brasil que eu não participarei. Logo eu, o único que ainda estava 100% no cenário — incluindo jogadores, técnicos, casters, enfim…

Desde que saí da Riot, no dia 01 de Agosto de 2018, loguei no LoL umas duas vezes, joguei apenas uma partida. Minhas duas contas que estavam no Diamante hoje estão no Ouro por inatividade. Acompanhei só a Escalada do CBLoL. Uma parte de mim precisava desse descanso, e a outra sofria por estar perdendo a identidade. São oito anos de League of Legends. Pra muitos, um jogo. Para outros tantos, um esporte. Para mim, era a vida. Sei que muitos outros se sentem assim — jogadores, casters, enfim. Construímos a nossa carreira dentro desse universo, e não se ver dentro dele parece cruel.

Cogitei comprar uma passagem, alugar um quarto e acompanhar a final presencialmente em Porto Alegre. Talvez “uma última olhada” naquilo que eu ajudei a construir. No final das contas, não vou.

Quando tomei essa decisão, fiquei triste, mas refleti e finalmente entendi o valor de ter trabalhado tanto tempo com League of Legends. E o quanto eu estava sendo egoísta comigo mesmo e com a história que construí dentro do cenário competitivo.

A verdadeira máquina de emoções: a torcida (Foto: Riot Games)

Eventos presenciais são uma atmosfera única para todos os envolvidos, mas nunca existirá um evento com mais pessoas participando do que uma stream. No Allianz Parque, 2015, foram cerca de 12.000 pessoas no estádio — e 280 mil pela transmissão na Twitch e YouTube.

Não importa o tamanho do evento, se é no estúdio ou no Ninho de Pássaro (final do Mundial 2017, na China), a melhor experiência provavelmente terá que ser a de quem está em casa, torcendo. Você pode estar sozinho, com amigos ou em um bar com uma galera. Uma transmissão vale por um, mas pode contar com dezenas, centenas.

É inegável que tudo fica melhor com torcida. A pressão popular que existe no Brasil para a Riot abrir o estúdio semanalmente para torcedores é feita tanto pelo público quanto pelos jogadores, que se sentem muito mais confiantes quando apoiados pelos seus fãs.

Tudo o que há de ser feito tem que passar por aquele que mais critica e mais aplaude, o que ri e o que chora, quem odeia e quem ame, quem entra “só pra dar uma olhada” e quem fica até o final da transmissão.

Sempre por eles e por elas.

Torcida da KaBuM durante a final da Primeira Etapa 2018 (Foto: Riot Games)

Isso me fez notar que não importa se participamos de 1 ou 100 eventos, se somos astros do cenário ou se estamos começando agora. O mais importante sempre será quem mantém toda essa máquina rodando, quem se apaixona de verdade e, mesmo que não jogue, não perde um segundo sequer das streams.

Amanhã, assistirei o CBLoL de casa. Ao lado de todos aqueles que transformam o nosso suor e trabalho em algo que valha a pena lutar, sofrer, se emocionar e agradecer por existir.

Obrigado por darem sentido à nossa paixão. Vocês são fodas.

Foto: Riot Games

Journalism. Esports. São Paulo — Brasil.

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