Plano vazado de dona da Google sobre cidade privada lembra 1984 e Black Mirror
O maior jornal do Canadá, o Globe And Mail vazou uma série de documentos sobre um plano da Sidewalk Labs, empresa afiliada a Google, que pretenderia criar um cidade corporativa de propriedade da Alfaphabet, que é a empresa dona Google. Inicialmente, o plano apresentado pela empresa está ligado apenas a avanços tecnológicos relacionados a transportes e urbanização, mas os dados vazados mostram intenções muito diferentes das intenções públicas da empresa. Os dados mostram um cenário distópico que lembra o livro 1984 e um episódio de Black Mirror onde os personagens avaliam uns aos outros o tempo todo com um aplicativo.
Além de estradas e escolas totalmente privadas, o plano também conta com um sistema de impostos criados pela empresa, sem participação democrática obviamente, e um sistema de justiça com juízes e policiais a serviço da empresa, bem distante de qualquer princípio republicano.
Para piorar, os cidadãos seriam obrigados a fornecerem seus dados privados em tempo real ou não teriam acesso a uma série de serviços oferecidos dentro da cidade. Além de cederem seus dados à empresa, os cidadãos seriam avaliados uns pelos outros, em sistema de crédito pessoal que poderia ser usado para decisões financeiras e relacionadas ao mercado de trabalho. Em um cenário de vigilância extrema semelhante a distopia do livro 1984 somado a um cenário tecnológico do episódio de Black Mirror onde todos são avaliados o tempo todo em um aplicativo, podendo ter suas vidas arruinadas por uma má avaliação arbitrária de alguém ou de uma empresa.
A conclusão que tiro é que esse tipo de plano de cidades privadas, muito semelhante ao que defendem os anarcocapitalistas para toda a sociedade, além de serem incompatíveis com a democracia e com a república, formando uma sociedade completamente aristocrática, falsificariam totalmente a vida social com uma perda total de privacidade e a existência de um sistema de crédito social em tempo real. O que tornaria a singularidade do ser humano um simples produto pertencente a alguma empresa gigante de tecnologia. O que não deixa de ser compatível com a ideologia mais radical do liberalismo que coloca a propriedade em uma escala de prioridade acima da vida.
