Então você acha que “Star Wars” é só seu?

Este texto é uma resposta para o texto “Então você acha que gosta de Star Wars?”, de Rodrigo Teixeira.

Eu entendo. Conheço várias pessoas que tem o mesmo ciúmes e sensação de posse e reclama dos novos fãs, chamando-os de “modinha”.

Alguns fãs mais veteranos acreditam que, por uma questão de merecimento, os filmes deveriam ser exclusivos para quem tem mais de 40 ou 50. E que qualquer um mais novo que acredite saber o que é Star Wars é apenas vítima de “uma ilusão vendida por alguma marca de refrigerante”.

Pois bem.

Quando eu tinha 4 anos, no ano de 1990, meu padrinho decidiu que eu já era velho o suficiente para conseguir tentar me mostrar um filme que segurasse meu interesse do começo ao fim. Com 4 anos de idade, até um besouro pode parecer algo muito interessante — até para colocar na boca.

Meu tio colocou O Império Contra-Ataca para eu assistir. E lembro muito bem daquele dia.

O cenário branco (Bespin, alterado depois na Edição Especial de 97) destacava os personagens. Um homem-cachorro de 2m de altura com um robô dourado desmontado em uma mochila em suas costas. Os mocinhos em perigo, o grande vilão em uma armadilha surpreendente.

Um dos momentos mais memoráveis de todas as trilogias: Yoda levitando a X-Wing para fora do pântano em Dagobah.

Tudo isso criou uma sensação de maravilhamento e grandiosidade que ficou marcada eternamente na minha memória — e na minha história.

Graças à Força meu tio tinha a trilogia clássica gravada em VHS pirata, o que foi o suficiente para garantir uma fundação bem sólida para meu amor por esta saga.

Eu havia sido seduzido pela Força e havia me tornado um fã de Star Wars.

A Trilogia Original era tudo o que eu tinha para me apoiar, na era pré-internet, conseguir livros em inglês era uma jornada. E, sem a internet, eu nem sabia da existência de um Universo Expandido.

Antes de ter meu primeiro sabre da Hasbro, eu brinquei muito com cabos de vassoura já que, quando me tornei fã, a franquia não vendia produtos nas lojas há quase 15 anos.

Imagine como fui positivamente surpreendido quando descobri que, no aniversário de 20 anos do lançamento de Uma Nova Esperança, eu teria a oportunidade de assistir a minha amada trilogia nos cinemas. Um sonho realizado!

Uma pena que George Lucas já testaria seus erros da Nova Trilogia nas alterações da Edição Especial — mas isso rende assunto pra outro texto.

Depois disso, foram apenas dois anos de espera até a estréia de A Ameaça Fantasma. Finalmente teria a oportunidade de ver o começo da minha saga sendo contado.

Entre os Episódios I e II, já havia me tornado moderador do maior fórum de Star Wars na época (Saudoso FAR — Fórum Aliança Rebelde, hospedado por anos no Forumnow), lado a lado com outros fãs da velha guarda, tão fãs quanto eu, e que respeitavam meu amor e meu conhecimento, assim como eu respeitava a “senioridade” deles.

Era impressionante como o fórum multiplicava os membros ativos nos meses antes da estréia de um dos novos episódios. E de como esvaziava algumas semanas depois da estreia. Normal, nem todos tem a mesma paixão (que pra alguns chega até a beirar a loucura), mas nem por isso alguém se sentia no direito de “dar carteirada”. Ninguém se julgava mais ou menos fã e, quando alguém tinha mais conhecimento, era sempre o primeiro a querer ansiosamente compartilhar esse conhecimento, mostrando também sabedoria.

Então, ao contrário do que Rodrigo Teixeira alegou em seu texto, Star Wars não é apenas para quem já era nascido e foi ao cinema naquela época. Assim como sua influência na cultura contemporânea deixa claro, Star Wars é um bem da humanidade. Seja um fã hard core ou um fã “modinha”.

Até porque, analisando através do mesmo prisma que Rodrigo, quem já era nascido viu trailers, foi influenciado por todo o reboliço que o filme causou na época e teve a oportunidade de ver o filme em quase qualquer cinema do mundo naquele fatídico ano de 77, diferente de muitos dos fãs mais novos, que tiveram que ter um grande mestre para apresentar, ou que tiveram que fazer suas próprias jornadas para chegar nas fitas emboloradas em alguma caixa, em algum quartinho.

Star Wars não é meu, não é de quem viu no cinema em 77. É de todos nós.

Eu não acho que gosto de Star Wars. Eu tenho certeza. E, se alguém concorda com o Rodrigo, me procure no Quiz Up para tirarmos um 1x1 no quiz da Trilogia Original. É só abrir a lista dos melhores de todos os tempos por país e me encontrar em 1º no Brasil.