O Nerd, a menina, o jogo de vôlei e o RPG.
Eu nunca tive muitos amigos, tive muitos colegas mas bem poucos foram aqueles que pude chamar de amigos.
Mas quando eu considerava alguém como meu amigo, até as pequenas coisas que aquela pessoa fazia eram muito importantes para mim e às vezes tinham um impacto tão grande na minha vida que a pessoa sequer faz ideia.
Uma delas vai ficar sabendo agora!
Antes de ir fazer o curso preparatório do CEFET, eu nunca fui um bom exemplo de aluno, repeti um ano e fiquei de recuperação inúmeras vezes, tudo porque eu gostava muito de jogos e pouco de estudar, seja com o meu Atari e Super Nintendo ou jogando Magic e GURPS com os colegas do Guamá, qualquer hora era hora de jogar e não estudar.
Mas conseguir passar no CEFET se tornou um grande desafio e decidi ter o meu primeiro ano de CDF, tudo o que eu faria naquele ano de 1999 seria estudar para ser aprovado naquela escola.
Eu acordava às 5 da manhã, com o sensacional livro "Questões de Matemática", ia para o CEFET às 7, voltava para casa às 13, ia para a outra escola às 13:30, voltava para casas as 18:00 e continuava a estudar até as 23:00.
Eu aproveitava cada momento do dia para estudar o que incluía os 20 minutos de intervalo que tínhamos no CEFET, às vezes eu saia apenas para comprar um lanche rápido e voltava ao livro de matemática, matéria que até aquele ano eu detestava.
Fiz isso o ano inteiro, tanto que a única parte que conhecia do CEFET, era o caminho até a minha sala, mas isso não me incomodava, eu gostava daquilo tudo, de fazer os simulados de quase sempre ficar em primeiro, mesmo que não significasse nada.
Então se alguém quisesse falar comigo tinha que ir na sala 04 e depois na sala 10. Nunca ninguém me perguntou o porquê de tudo aquilo, eu só ficava na sala e pronto, até que um dia, por volta do mês de agosto, alguém me perguntou se eu não queria ir assistir um jogo de vôlei no ginásio e eu perguntei se realmente o CEFET tinha um ginásio, pois eu não conhecia o restante da escola, e foi a primeira vez que me perguntou porque eu não saia da sala, expliquei o que já disse acima e falei que iria continuar na sala estudando, mas eu já sabia pela convivência que a pessoa em questão não aceitava um não como resposta é que pouco importava para ela se eu gostava ou não, ela só não queria ir sozinha e eu teria que ir com ela, já que as amigas dela na época, Polyana Rodrigues e Natasha, não tinham ido para a aula naquele dia.
A Samara Lima me puxou pelo braço da sala e foi me levando pela frente da lanchonete, que era o único lugar fora do caminho da sala que eu conhecia da escola.
Mas o que iria mudar, mudou completamente a minha vida adolescente naquele momento, foi quando passamos perto do refeitório, que eu também não sabia que existia e escutei um barulho conhecido, mas que eu não escutei por todo aquele ano de estudos: O barulho de dados sendo rolados em uma mesa, e os gritos de alegria quando eles pararam de rolar!!!
Eu parei na hora em que escutei aquele som, é meu primeiro pensamento foi: Não, não pode ser, não pode ser Aquele Jogo...
Olhei para o refeitório e vi pelo menos umas 8 pessoas ao redor da mesa, de pé,na ponta, estava aquele que deveria ser o GM, como o mestre de GURPS era chamado, mas sem que eles percebessem que eu estava olhando, a não ser por uma garota que fazia o mesmo curso que eu mas era de outra sala.
Assisti um pouco daquele jogo com a Samara e logo voltei para a sala, mas já havia ficado com aquele barulho na cabeça e agora com a certeza de que havia um grupo de RPG no CEFET.
Um tempo depois, fui apresentado a parte do grupo na Expomat, Vinicius Barreto era o narrador, Tarcisio Sampaio era quem estava rolando os dados, quem batia na mesa era o Anselmo, e ainda havia o Cassio Marques, o Eric Coelho Pereira além da Jane e da Janaina Oliveira, e do saudoso João Paulo, mas como sempre devo ter esquecido alguém.
A partir daquele dia, eu joguei RPG, eu narrei RPG, fiz amigos e, é claro inimigos, organizei eventos de RPG, até internacionais, escrevi jogos, e até a minha futura formação foi decidida ali, quando comprei meu primeiro livro de RPG, o Vampiro Idade das Trevas, que está na minha estante até hoje e foi meu primeiro passo para eu me tornar um historiador.
Tudo porque alguém queria companhia para ir assistir um jogo de vôlei
