Dançando à beira do precipício
“O mundo vai acabar/ e ela só quer dançar
O mundo vai acabar/ e ela só quer dançar, dançar, dançar…"
O mundo acaba todos os dias. O fim da linha chega a cada instante. Vidas, alegrias, sofrimentos são interrompidos o tempo todo. A vida é morte, e parece o ser cada vez mais; ceifadores parecem tentar matar cata vez mais e mais rápido.
No entanto, a vida é teimosa e insiste em começar de novo e renascer.
O mata brota novamente, não importa quantas vezes seja cortado.
As pragas parecem se multiplicar a medida que são exterminadas.
Os amigos da vida sorriem, cantam e dançam.
A morte os olha torto, inclusive chega a rosnar e a mostrar os dentes. O que mais a irrita é saber que não é temida.
“Segundo os cientistas, já aconteceram pelo menos cinco extinções em massa no nosso planeta”, explica o mestre de cerimônias enquanto os músicos fazem uma pausa (suas mãos doem; eles tocaram a noite inteira).
“A sexta está bem perto. Poderia ter sido ontem e pode muito bem ser hoje, mas enquanto ela não acontecer…”
(soam os tambores)
“VAMOS CANTAR E DANÇAR!!!!!!!!!”
(todos presentes aplaudem, gritam, assoviam e urram)
a roda de tambores dita o ritmo, o público dança animado e o canto começa:
“A morte/ está sem sorte/
cada vez que ela me pega/ eu volto mais forte”
O Pajé velho sorri e começa a tirar o sol do buraco. Começa um novo dia; uma nova esperança. Só mais uma música nesta eterna dança.