Dançando à beira do precipício

Bruno Pedrotti
Aug 25, 2017 · 1 min read

“O mundo vai acabar/ e ela só quer dançar

O mundo vai acabar/ e ela só quer dançar, dançar, dançar…"

O mundo acaba todos os dias. O fim da linha chega a cada instante. Vidas, alegrias, sofrimentos são interrompidos o tempo todo. A vida é morte, e parece o ser cada vez mais; ceifadores parecem tentar matar cata vez mais e mais rápido.

No entanto, a vida é teimosa e insiste em começar de novo e renascer.

O mata brota novamente, não importa quantas vezes seja cortado.

As pragas parecem se multiplicar a medida que são exterminadas.

Os amigos da vida sorriem, cantam e dançam.

A morte os olha torto, inclusive chega a rosnar e a mostrar os dentes. O que mais a irrita é saber que não é temida.

“Segundo os cientistas, já aconteceram pelo menos cinco extinções em massa no nosso planeta”, explica o mestre de cerimônias enquanto os músicos fazem uma pausa (suas mãos doem; eles tocaram a noite inteira).

“A sexta está bem perto. Poderia ter sido ontem e pode muito bem ser hoje, mas enquanto ela não acontecer…”

(soam os tambores)

“VAMOS CANTAR E DANÇAR!!!!!!!!!”

(todos presentes aplaudem, gritam, assoviam e urram)

a roda de tambores dita o ritmo, o público dança animado e o canto começa:

“A morte/ está sem sorte/

cada vez que ela me pega/ eu volto mais forte”

O Pajé velho sorri e começa a tirar o sol do buraco. Começa um novo dia; uma nova esperança. Só mais uma música nesta eterna dança.

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Bruno Pedrotti

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Filho da mata atlântica, louco por tambores e sabiás. Publica experimentações líricas, trabalhos acadêmicos e o que mais der na telha.