A vida que nunca será sua

Você está perdendo tempo.

O dinheiro, a carreira, os filhos, as viagens, a família do comercial de TV e todo resto que imagina para daqui dez anos.

Se pensar durante cinco minutos, vai chegar à essa conclusão. Volte no tempo e perceba. A vida que imaginava dez anos atrás é a mesma que está vivendo hoje?

Aos quatorze, imaginava que hoje seria jogador do Corinthians, teria a BMW que via nos jogos de PlayStation, e teria a casa dos sonhos.

Como podem imaginar, não foi bem assim que aconteceu. E é aí que te pergunto:

Para que se preocupar tanto com o amanhã, sabendo que provavelmente é um mundo cheio de estranhezas que te espera? Percebe que o que está por vir não depende tanto assim da gente?

Se analisar, são inúmeras as variáveis. E pior, a maioria delas não estão ao alcance de nossos braços. E isso, infelizmente, acaba distorcendo todas aquelas ideias sobre como serão os próximos capítulos. O menino que chamamos de futuro não pensa tanto assim em você como você nele.

Talvez, o carro, a casa e o resto todo, um dia até venha, não sejamos tão desesperançosos. Mas, se vierem, que nos peguem de surpresa. Imagine que merda seria se tudo que você imaginasse acontecesse?

Pensa no presente de dia dos namorados que você vai ganhar daqui uns dias. O que é mais legal? Saber antes o que é, ou ter aquela puta surpresa no dia? Entende que o risco é grande? Ou você pode descobrir antes e não gostar, o que te deixará puto até o dia; ou você pode até descobrir e gostar, mas não vai tê-lo até o dia, o que não será legal também. Talvez, a graça esteja mais no improvável do que no planejado.

É desesperador pensar que não tenho nada do que imaginava aos quatorze, mas ao mesmo tempo, excitante saber que aos quatorze não imaginava que dez anos depois viveria o ano mais do caralho da minha vida.

E você? O que acha que te espera daqui dez anos?

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