Dos três aos oitenta anos em um minuto

Se você era daquelas crianças extremamente terríveis, um adolescente curioso e hoje se considera um adulto chato, isso é pra você:

Hoje uma colméia me mandou para o hospital.
 Me fez lembrar de quando tinha três ou quatro anos.
 Vivia perseguindo sem saber, tudo aquilo que era perigoso.

Hoje uma abelha simplesmente me picou.

Me fez lembrar de quando tinha uns sete anos.

Vivia namorando com os machucados que decidiam em não me largar.

Hoje uma abelha aterrizou no meu nariz.
 Me fez lembrar de quando tinha quinze anos.
 Vivia assustado com aquele novo mundo, onde eu mal sabia como agir.

Hoje uma abelha invadiu o meu café.
 Me fez lembrar de ontem.
 Vivia tentando expulsar os problemas que insistiam em irritar.

Amanhã uma abelha vai entrar no meu ouvido, ameaçando puxar o gatilho, com passagem apenas de ida para o hospital.
 Me fez lembrar de quando meu avô tinha oitenta anos.
 Vivia querendo brincar de voltar a ser criança.

Colméias e ferroadas à parte, vejo a vida como andar em uma montanha-russa pela primeira vez. No começo ninguém sabe a sensação, afinal, nunca vivenciamos aquilo. Porém, conforme o carrinho vai andando, vamos percebendo o tamanho da encrenca que nos metemos. E no final, quando acaba, o carrinho pára e o medo vai embora, muitas vezes temos vontade de ir de novo. Mas, ao lembrarmos do tamanho da fila, acabamos deixando para uma próxima vez, que, na maioria das vezes, ou demora um tempão para acontecer ou não acontece nunca mais.

Então, se você é um adulto chato como eu, pare de se preocupar apenas com as ferroadas. Aproveite essa montanha-russa que é a vida. Ela é curta e cheia de emoções. E não esqueça que a fila pra próxima pode ser grande. Pode ser daquelas de dar a volta no quarteirão.