consequências

Até os meus 15 anos minha vida era totalmente controlada. Por meus pais, amigos, família… Uma infinidade de gente metendo o dedo na minha vida, “querendo apenas o meu bem”, dizendo o que eu tinha que fazer, o que eu não poderia fazer.

Ao fim do ensino médio, aos 16, eu decidi pegar um pouco as rédeas da minha vida. Lançar o famigerado “foda-se”, e tentar viver a minha vida a minha maneira. Sentei com meus pais e conversei.

“Eu preciso tomar minhas decisões”

“Mas Bruno”

“Eu preciso tomar minhas decisões, arcar com minhas consequências, quebrar a cara, chorar e aprender com meus erros, por favor”

Decidi ficar um ano sem estudar e trabalhar, cuidando da minha saúde mental, tomada pela pressão do ano que se passou. Decisão essa que não foi muito bem vista de início pelos meus pais, mas aceitaram e me deram suporte necessário. Aos olhos dos amigos dele essa era a pior coisa que poderia acontecer. “Um menino de 17 anos sem fazer nada? Só dentro de casa? Ah se fosse filho meu…”. Por sorte não sou.

Tal ano se passou e eu, agora aos 18, teria que me voltar para os estudos, tentar entrar em alguma faculdade. Conheci pessoas interessantes, de outras cidades e realidades no cursinho pré-vestibular. Estudei, me esforcei, consegui passar. Em uma outra cidade.

Aos 19, mais uma vez tive que tomar outra grande decisão. Ir morar só e estudar ou ficar na casa dos meus pais, frustrado, talvez em outro curso ou trabalhando? Optei pela primeira. Muitos não tiveram a coragem de me dizer na cara, mas estava escrito no rosto deles. “Bruno vai morar só? Duvido que consiga se virar numa cidade grande, longe dos pais.”. Isso me fortaleceu para poder provar pra eles e principalmente pra mim mesmo que eu conseguiria isso.

Fiz meus pais fazerem coisas mirabolantes apenas pra que eu pudesse estudar o meu curso. Eles conseguiram e conseguem me manter (um dos motivos que ainda não tenho 100% controle da minha vida — algum dia terei?Já que a financeira ainda depende deles).

O primeiro mês não foi fácil. Eu tive que aprender a pegar ônibus, a falar com estranhos na rua e perguntar pontos de localização. Tive medo de ser rejeitado por ser de fora. Mas eu estava errado. Eu me saí muito bem — e me saio, na maioria das vezes.

Conheci amigos incríveis, locais incríveis, beijei na boca, transei, descobri novas coisas, me apaixonei, quebrei a cara. Talvez essas mesmas coisas teriam acontecido se eu tivesse ficado na casa dos meus pais, mas não seriam as mesmas experiências, as mesmas pessoas. Não seriam os mesmos motivos.

Aos 20 anos, eu ainda não sei o porquê de as pessoas terem medo das consequências da vida. Ou são boas ou são ruins, qualquer uma delas vão te ensinar a viver. E viver, meus amigos, é maravilhoso.

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