CRÍTICA | 3ª Temporada Unbreakable Kimmy Schmidt

Com estilo único e humor para poucos, Kimmy Schmidt entrega mais uma temporada com qualidade.

Desapego com a realidade. É assim que podemos caracterizar a nova temporada de Unbreakable Kimmy Schmidt. Neste terceiro ano acompanhando a vida de Kimmy vemos que ela está mais madura, assim como Ellie Kemper. A atriz que dá vida à personagem principal parece mais concisa e encontrou um equilíbrio para interpretá-la de uma maneira menos caricata. Titus (Tituss Burgess), Jacqueline (Jane Krakowski) e Lilian (Carol Kane) também estão ótimos e por vezes roubam a cena, entregando humor com maestria.

Após terminar o supletivo, neste ano acompanhamos Kimmy na faculdade, dando novos passos em sua vida após ser libertada do bunker. Entretanto, seu plot vai perdendo força à medida que a temporada avança. Já Titus, Jacqueline e Lilian têm linhas narrativas próprias e, entre todas as temporadas, nesta, seus núcleos estão os mais separados do de Kimmy. Por vezes podemos ver os três interagindo juntos (destaque para o episódio 6) enquanto Schmidt atua sozinha no arco de sua personagem.

Com um estilo de humor único, essa temporada mantém o tom incomparável de Tina Fey. Tendo participado por vários anos de Saturday Night Live e assinado 30 Rock, Fey mantém em Kimmy uma característica marcante: o total desapego com a realidade. Muito do que vemos em Unbreakable não se aplica às regras do mundo normal e isso é bom, pois concede à série uma leveza de poder brincar consigo mesma e com outros assuntos, sem se preocupar necessariamente com o que é possível ou mesmo crível.

Outro ponto interessante são as esquetes de humor que acontecem o tempo todo e não são relacionadas aos plots dos personagens. Estão ali apenas para divertir e manter no espectador o clima de incredulidade. Bons exemplos não faltam: Titus parodiando Beyoncé, andando pela cidade com um pavão, ou Jacqueline passando manteiga no pé para conseguir calçar um sapato 5 números menores.

Essa temporada também foi recheada de críticas ao governo Trump e tristeza pela perda da corrida eleitoral de Hillary Clinton. Desde piadas singelas até às bem explícitas, a produção e os atores deixaram claro seu descontentamento com o ocupante atual da Casa Branca. Entre as características marcantes que permanecem desde o começo estão a abertura da série, que é simplesmente impossível de pular, os flashbacks no bunker, que continuam ótimos, e a participação de atores convidados, com um destaque aqui para o episódio com Amy Poehler e com a própria Tina Fey.

Entretanto, exatamente por tais características, a produção não agrada a todos os gostos. Unbreakable é um exemplo clássico onde os espectadores ou são fãs de verdade ou, em algum momento, desistem de tentar entender tantas loucuras. Mesmo assim, diante de tantas singularidades, a série não se compara a nada que está no ar atualmente, e isso continua sendo muito bom.