CRÍTICA | Annabelle 2: A Criação do Mal
Apesar dos sustos garantidos, longa precisa de universo já estabelecido para se sustentar.

Antes de compartilhar as minhas impressões sobre Annabelle 2 preciso fazer uma confissão: filmes de terror não são meu forte. Não me entenda mal, eu adoro esse gênero, mas simplesmente me assusto demais para conseguir analisar a produção imparcialmente. Não se trata de medo e sim de espanto mesmo. De toda forma, entre um pulo e outro na cadeira, consegui observar alguns pontos interessantes. Vamos a eles.

Annabelle 2: A Criação do Mal faz parte do recente universo de terror criado pela Warner Bros e o diretor James Wan. Nele, temos dois tipos de produções: as principais, que acompanham o casal de investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren, que possuem histórias sobrenaturais tão reais quanto controversas, e os spin-offs, que focam nas origens de algumas entidades enfrentadas pela dupla. A franquia atualmente consiste nas produções Invocação do Mal (2013), Invocação do Mal 2 (2016), Annabelle (2014), Annabelle 2: A Criação do Mal (2017) e The Nun, ainda em estágio de pós-produção.
No filme em questão, dirigido por David F. Sandberg, acompanhamos como a boneca mais feia da história se tornou assombrada. Os fenômenos paranormais começam depois da chegada de uma freira e seis garotas orfãs à casa dos pais de Annabelle, que ainda sofrem as consequências de um acidente ocorrido doze anos antes. Daí pra frente salve-se quem puder: a telona se enche de sustos e gritos.

De maneira geral, o longa apresenta um roteiro fraco e previsível. No momento em que as órfãs colocam os pés na casa, o conhecido ciclo do terror entra em cena: as aparições começam com as crianças, porém ninguém acredita. Gradativamente, a situação vai se agravando até que o paranormal se torne inegável. Recheado de sobressaltos, Annabelle 2 diz ao espectador a todo momento quando é hora de se assustar (e infelizmente eu obedeci em todas as vezes.)
Outro ponto que não satisfaz é a mitologia da explicação sobrenatural. Em geral, nos filmes desse gênero, o esclarecimento do que originou o terror é um ponto aguardado e quase sempre esclarecedor. Não é o caso aqui. O espectador que assistiu a todos os filmes da franquia já sabe que um demônio habita a boneca, porém, ao descobrirmos os motivos que o levaram até ali, somos tomados pela frustração.

Diante de tudo isso, existem alguns pontos que merecem destaque. Um deles são as crianças, que agem de maneira natural e totalmente plausível com o contexto. São elas que concedem o leve tom cômico necessário para se descansar entre um susto e outro. Também é interessante observar como a produção se esforça para criar elos como os demais filmes da franquia. Em um desses links somos apresentados a uma breve sinopse de The Nun: o longa deve se passar em um convento romeno de freiras enclausuradas. Mais tenebroso (e clichê) impossível. A cereja do bolo, porém, fica com a aparição de uma réplica da verdadeira Annabelle, dada como presente a uma das crianças em determinado momento do filme.
Pesando prós e contras, Annabelle 2: A Criação do Mal só é salvo porque se sustenta no universo já estabelecido. Sozinho, seria um filme esquecível, fraco e com problemas estruturais de roteiro. A ida ao cinema vale para aqueles que querem garantir um bom susto ou desejam conhecer mais uma peça do quebra-cabeças assombrado criado pela franquia de Invocação do Mal. Excluídas essas opções, me faltam motivos para indicá-lo.
