Em Sorocaba, jovem lança livro com foco em literatura fantástica

Disponível para venda desde o fim do mês de novembro, o livro “Portões do Cemitério — Parte I”, de Thamyres Freitas Ribeiro, é a realização de um sonho que a autora garante estar apenas no início.

O livro foi lançado pela editora Multifoco, com o selo “Dimensões Ficção”. (Foto: Editora Multifoco)

Por Bruno Golfeto Timóteo

A 4ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, encomendada pelo Instituto Pró-Livro e feita pelo Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), que foi divulgada em maio deste ano, apontou que o número de leitores no Brasil subiu 6 pontos percentuais entre 2011 e 2015, e teve abrangência nacional.

De acordo com os dados obtidos pela pesquisa, o Brasil tem cerca de 104,7 milhões de leitores, o que equivale a 56% da população, e foram considerados leitores pela mesma, pessoas que leram inteiro ou em partes ao menos um livro nos últimos três meses.

Outro dado revelado pela pesquisa foi o aumento de leitores na faixa etária entre 18 e 24 anos, que saltou de 53% em 2011 para 67% em 2015. Além disso, foi constatado que adolescentes entre 11 e 13 anos são os que mais leem por gosto, totalizando 42%, enquanto crianças de 5 a 10 anos totalizam 40%.

Com o aumento do índice de interesse do brasileiro pela leitura, especialmente entre os mais jovens, também aumenta o número de pessoas que não querem mais ficar apenas folheando páginas e que desejam realizar o sonho de se tornarem escritores amadores ou até mesmo de seguir carreira profissional.

É o caso da jovem Thamyres Freitas Ribeiro (18), natural de Limoeiro/PE e que atualmente reside em Sorocaba, no interior de São Paulo. A jovem que cursa técnico em administração e trabalha como jovem aprendiz administrativa teve o seu sonho de publicar um livro realizado. Ela lançou em parceria com a editora Multifoco, com o selo “Dimensões Ficção”, o livro “Portões do Cemitério — Parte I”, que contém 359 páginas e em uma entrevista exclusiva, falou sobre sua trajetória e o seu sonho de se tornar uma escritora profissional.

Thamyres tem 18 anos e reside em Sorocaba, interior de São Paulo. (Foto: Arquivo pessoal)

Bruno: De onde surgiram o desejo e a inspiração para escrever um livro?

Thamyres: Minha mãe sempre foi minha maior inspiração. Me ensinou a ler quando eu ainda era pequena, e sempre me contava histórias diversas, que inventava na hora. Sempre me senti fascinada pela imaginação dela, com tudo o que ela podia dizer com base em outros acontecimentos da história. Ela sempre teve uma imaginação fantástica, e me sinto muito feliz por ela ter me ensinado a desenvolver a minha. Minha paixão por leitura e escrita sempre existiu, mas foi só aos 14 anos que descobri que era isso o que queria fazer na minha vida. Foi muito repentino, assim como as ideias para histórias.

Bruno: Você sempre gostou de escrever ou foi se interessando gradativamente?

Thamyres: Sempre li muito, então imaginava muito também. Resolvi colocar as ideias no papel assim que aprendi a escrever, mas é claro que não deu muito certo logo de início. Mas com muita prática eu comecei a gostar do que escrevia, o que me levou a mostrar aos meus amigos, aos professores, e por fim à uma editora, e as críticas foram bem positivas, então digamos que foi algo ao acaso, sim. Nunca tive esse pensamento de ser talentosa, mas outras pessoas sempre o tiveram por mim.

Bruno: Quais são seus livros favoritos, os autores e o gênero literário que você mais se identifica?

Thamyres: Stephen King e H. P. Lovecraft são apenas dois de meus autores favoritos, mas o que for relacionado a terror eu estou lendo. Quando li “O Iluminado”, do Stephen, foi que me imaginei tentando fazer um trabalho tão glorioso quanto, o que é claro que não consegui. “Cemitério de Animais” foi o segundo livro dele que li, e o terceiro foi “Misery”. Esses três foram meu ponto de partida na aba do terror literário. Claro que li muitos outros livros, de muitos outros autores e de diversos outros temas (quase ninguém acredita que eu seja fã de Bridget Jones), mas esses são os que mais me marcaram, e os que levarei comigo para sempre. Mas é claro que sempre dou preferência ao terror e ao mistério quando escolho minha próxima leitura.

Bruno: Há quanto tempo você vinha produzindo o livro “Portões do Cemitério”? Em que você procurou basear o enredo? E em relação à inspiração, ela vem fácil ou precisa de momentos e ambientes específicos?

Thamyres: Escrevi ele em pouco mais de um ano, mas sete meses que passei ociosa foram por problemas que andava tendo comigo mesma. Assim que melhorei e voltei a me dedicar, percebi que poderia ter escrito ele em um mês, direto, se não fosse por tanto tempo perdido. A ideia veio por conta de uma música, Cemetery Gates, do Pantera. Sempre gostei muito dela, mas uma madrugada que estava com insônia e a ouvi pensei “Isso seria um ótimo título de livro”, e no mesmo instante já imaginei nomes de personagens, a história, e acontecimentos em especial. Qualquer lugar e qualquer momento é bom para escrever, basta ter a ideia e a vontade de desenvolvê-la. Estou desenvolvendo um novo livro faz um bom tempo (e está na gaveta há alguns meses…), e em um dia chuvoso, repleto de trovões e com crianças que insistiam em jogar bola na rua gritando como loucas, escrevi trinta páginas sem parar. Quando você está gostando do que desenvolve, as coisas fluem assim.

Bruno: Poderia dar uma sinopse do livro para os nossos leitores?

Thamyres: Não sou muito boa com isso, sempre acabo me atrapalhando para não contar spoilers ou contar muito pouco, e também porque sou muito tímida e tenho dificuldades em traçar minha história para outras pessoas. É como se fosse algo íntimo, a ideia que eu tenho da minha história, e eu gosto de deixar as pessoas descobrirem por elas próprias. Quando a editora me pediu uma sinopse, fiquei tão nervosa que levei mais de uma semana para escrevê-la, e não tinha nem seiscentas palavras. Mas enfim, tem muita morte, muito sangue e muita coisa estranha rolando. Recomendo!

Bruno: Seus familiares e amigos te apoiam na realização desse teu sonho?

Thamyres: Apoiam sim, e muito. Quando tive dificuldades em continuar a história, meus amigos ficaram ao meu lado o tempo todo, sempre me apoiando e confiando em mim. Se esse livro está impresso hoje em minhas mãos, devo muito à eles. Minha mãe relutava um pouco no começo, ela não acreditava que isso iria dar certo e achava que seria uma perda de tempo, mas meu irmão e meu pai sempre me apoiaram, estavam muito contentes e orgulhosos do que eu fazia. Hoje até minha mãe viu que eu lutei tanto para isso acontecer que tudo ocorreu bem, e também enche o peito para falar da filha escritora.

Bruno: Como se deu a parceria com a editora Multifoco?

Thamyres: Procurei em tanto lugar que nem sei dizer. Mandei até para editoras das quais nunca tinha ouvido falar antes. Depois nem dormi com medo que me plagiassem, mas aí uma luz me trouxe essa editora e deu nisso.

Bruno: Quais foram as pessoas que te apoiaram direta ou indiretamente na produção do livro?

Thamyres: Meu professor de português, Adauto, foi meu porto seguro diversas vezes. Ele sempre amou o que eu escrevia, nem que fosse um texto sobre hortaliças, e não perdia oportunidades de me corrigir ou me elogiar. Nunca vou me esquecer dele e de todo o seu apoio. Ele sendo um homem tão culto, toda vez que me elogiava eu pensava “Talvez eu não seja tão ruim quanto penso”.

Bruno: Já foi definida alguma data para o lançamento? E aonde as pessoas podem adquirir o livro?

Thamyres: A editora me mandou alguns exemplares para eu vender entre meus conhecidos, então nem teve data de lançamento. Talvez haja algum evento quando ele for para as livrarias, mas não sei informar. Pelo site da editora ele está por R$ 48,00 e pode ser pago como qualquer outro livro de qualquer outro site. Eu tenho que vender os meus por R$ 45,20 e devem ser pagos em dinheiro.

Bruno: Como ainda não houve uma cerimônia de lançamento, passa pela sua cabeça a possibilidade de realizar uma manhã, tarde ou noite de autógrafos?

Thamyres: Não pretendo, e só farei se for muito necessário. Não sei se me sentiria muito confortável, pelo menos não ainda. Queria publicar meus livros apenas para ver meu trabalho solto por aí, não deve ter muita necessidade de me colocar na frente de um monte de gente para ficar gaguejando e contando piada ruim.

Bruno: O que você planeja para o seu futuro? Formar-se em Letras e tornar-se uma escritora profissional ou continuar atuando como uma escritora amadora?

Thamyres: Sim, planejo me formar em letras (depois de me formar em contabilidade) e por mim viveria sim apenas da escrita, mas se isso não for possível, espero ter uma carga consideravelmente boa de conhecimento para ocupar um bom lugar no mercado de trabalho (área administrativa e contabilística).

Bruno: Já está escrevendo uma nova história?

Thamyres: Sim, mas se eu contar perde a graça, e sem contar que tudo pode mudar de um momento a outro, então vamos dar tempo ao tempo (mas meu novo livro tem a ver com um pássaro e está ficando muito legal. Não que eu devesse estar falando algo…).

Bruno: Como as pessoas reagem quando você conta que acabou de publicar um livro?

Thamyres: Ficam muito entusiasmadas e querem me ajudar. Fico envergonhada no começo, mas depois me solto e conto um pouco mais como tudo começou (e é claro que mudo de assunto assim que possível, sem parecer grosseira).

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