Alanis Morissette — Baba

Alanis Morissette & Glen Ballard, 1998

Depois de lançar Jagged Little Pill em 1995, um dos discos mais bem sucedidos da história, com 33 milhões de cópias vendidas, 4 Grammys e 18 meses de turnê por 20 países, Alanis Morissette começou a praticar ioga e foi passar seis semanas na Índia, em uma viagem espiritual. O resultado foi o álbum Supposed Former Infatuation Junkie, com nome e tracklist grande: 17 músicas. O tema mais explorado, claro, era fé e auto-conhecimento e uma canção em particular falava disso de uma forma não- romântica: “Baba”.

A música, a mais pesada do disco, com guitarras distorcidas e um vocal raivoso, é meio autobiográfica: em uma jornada espiritual ela encontra um guru, que ela chama de “baba”, uma palavra em hindi que significa “pai” tanto no sentido familiar quanto no espiritual. E o resultado desse encontro é uma série de perguntas críticas, analisando a maneira como o ocidente se relaciona com antigas religiões orientais. Ela questiona os gurus que cobram dinheiro, a elitização de uma doutrina religiosa, o turismo espiritual em si, apropriação cultural e a vaidade dos líderes e de seus seguidores.

“Quanto tempo até eu me tornar pio? Quanto isso vai custar, guru?”, pergunta Alanis fazendo a relação entre um desejo que é vendido como algo que custa tempo, estudo e, de fato, muito auto-conhecimento, mas que agora também custa muito dinheiro e o resultado não está garantido. E a melhor canção de Alanis Morissette sobre espiritualidade, entre tantas, é justamente aquela que questiona os métodos e abre espaço para a desconfiança, algo que as pessoas costumam se esquecer quando são consumidas pela busca da “iluminação”.

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