Björk — Alarm Call

Björk & Mark Bell, 1997

“Alarm Call” contém o melhor verso sobre otimismo que eu já ouvi. “Eu quero ir para o topo de montanha, com um rádio e boas baterias, tocar uma melodia alegre e livrar a raça humana inteira do sofrimento”, canta Björk no quarto single de seu terceiro disco, “Homogenic” — batizado com uma palavra em inglês que não existe (o certo seria “homogeneus”). Mas o verso não é só sobre otimismo, é também sobre espontaneidade e crença no poder da música, duas grandes marcas da carreira da artista islandesa.

É uma canção bem catártica, mas também muito humana. É sobre aprender lições valiosas com as experiências e não ter medo delas. “Não ter medo”, inclusive, é uma frase que Björk repete muito durante a música, como uma espécie de mantra, uma lembrança para si mesma. É sem ter medo que ela aprende que pode ser sincera, que pode se virar mesmo quando tem pouco espaço e, principalmente, ter consciência de que um dia que começa ainda não aconteceu e que, por isso, não há razão para se ter medo dele.

E a música não se chama “Alarm Call” à toa. Pois é, de fato, uma chamada, um convite para o autoconhecimento. “Você não pode dizer não para a esperança”, canta Björk, tendo a voz como uma força vital e exalando um otimismo que soa até irônico vindo de uma artista famosa por seu ateísmo — um pessimismo clássico. Mas a lição aqui é que, assim como ela, cada um tem sua jornada, de seu jeito, com ou sem ironia. Não só nessa canção, mas em todo o disco “Homogenic”, Björk conta pra gente que encontrou sua montanha, a subiu e tocou sua música favorita. Por que não tentarmos fazer o mesmo?

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