St. Vincent — All My Stars Alligned

Annie Clark, 2007

St. Vincent, nome artístico da cantora, guitarrista e compositora americana Annie Clark, é uma artista que evoluiu bastante. E não no sentido de ser melhor, porque ela não era pior quando começou a carreira em 2007, mas no sentido de ser completamente diferente. Depois de cinco álbuns, colaborações com gente como David Byrne, e o design de uma linha de guitarras que considera que os peitos de uma mulher precisam de espaço atrás do corpo do instrumento, St. Vincent praticamente não toca mais as músicas de seu primeiro disco, Marry Me, mas é lá que está “All My Stars Alligned”, minha favorita.

A canção fala de crenças e superstições em sua relação com amor e relacionamentos. Signos, amuletos, videntes, quiromancia, dança da chuva e até cruzar os dedos são métodos aos quais a personagem da música recorre para se conectar de novo com um amor perdido. Ela quer logo recuperar esse amor, pois teme ser esquecida. Acredita que já sabe a resposta para a perguntas que tem para o vidente. Mas a resposta muda a medida que a canção progride. Ela começa achando que a resposta é a própria pessoa amada, mas acaba chegando à conclusão de que, na verdade, a resposta é o próprio amor.

Com uma certa ironia, a personagem termina a canção sozinha e St. Vincent conclui que não há superstição que possa trazer alguém de volta. Nossa tendência ao egoísmo e às ilusões podem arruinar as boas relações que temos e a natureza humana não pode ser corrigida de fora para dentro. O que nós temos são nossos corações, que estão cheios de tudo, inclusive de falhas. Mas a lição aqui é que há, claro, algo para se acreditar, pois o ser humano tem a habilidade de usar o amor como uma diretriz, mas precisa crer em si mesmo. Porque a gente só consegue dar para o outro o que a gente tem e é preciso acreditar nessa potência, pois é impossível amar e ser amado se não há uma crença mútua de que um amor existe.

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