Campanhas antirracismo funcionam?

Andei refletindo sobre a questão do racismo (principalmente o ligado a cor da pele, haja vista que qualquer grupo de pessoas com características que contemplem algo que alguém considere uma raça e o diminua por isso, encaixa-se, ao meu ver, em caso de racismo — judeus, por exemplo, formavam uma raça para os nazistas) e levantei a hipótese de que nem todo racista é igual ao outro. Acredito que a separação seja importante. O primeiro tipo é aquele indivíduo que acredita que o fenótipo expresso de cor da pele realmente esteja ligado com a inferioridade de alguma característica (intelectual, por exemplo). Muitos acreditam que para essa pessoa faltou educação doméstica… pode até ser, mas sem dúvida não é a principal deficiência. Se eu quisesse ser racista, não conseguiria: estou limitado pela realidade. Não há um único motivo para inferir a relação (positiva ou negativa) da cor da pele com o intelecto… ou muito menos uma inferioridade (ou superioridade) intrínseca. Essa pessoa é, resumindo, ignorante, no sentido de não entender o básico sobre como a realidade é. Sendo assim, campanhas antirracismo podem fazer com que essa pessoa não fale nada considerado racista, mas será no máximo um cão adestrado, pois sua ignorância faz com que ela pense como um racista. Logo, o racismo não será combatido por “campanhas antirracismo” que apelem para o emocional. Apenas o conhecimento científico e o pensamento crítico reverteriam esse racismo. Há uma variação desse tipo, em que a pessoa pode ser, além de ignorante, má. Isso faz com que o racista ofenda um grupo não apenas por desinformação, mas também pelo prazer de afetar de forma negativa o psicológico de outras pessoas. Quando a “maldade” está envolvida, campanhas contra o racismo que apelem para o emocional ou qualquer depoimento público em que a pessoa se expresse como vítima, não apenas não solucionarão o problema, mas serão responsáveis por alimentá-lo. Isso vale para a pessoa que não é ignorante, no sentido colocado acima, mas ainda assim continua sendo má. Ela pouco se importa com a realidade: o que dá prazer a ela é o sofrimento alheio. Nos últimos casos, é claro, educação científica alguma seria útil. Não sei como lidar com a “maldade”, seja lá o que ela for.

Talvez as campanhas e os depoimentos de vítimas só ajudem em casos em que a pessoa, já estando limitada pela realidade, ou seja, sabendo que racismo é bobagem, é “babacona”, gosta de ver o caos e o circo pegar fogo, mas não é má. É uma racista pela “farra”. Acho que falta a essa pessoa aquilo que é fundamental para vivermos em sociedade, que é a capacidade, antes de agirmos ou falarmos alguma coisa, de levar em consideração o sofrimento de outros indivíduos. Podemos mostrar a ele — o indivíduo racista — que pessoas sofrem com suas alegações e isso faria com que ele desenvolvesse uma preocupação moral a esse grupo. Termino deixando duas perguntas:

1) Qual é o tipo de racista mais comum?

A resposta importa, já que cada tipo de racista deixaria de ser racista por questões diferentes.

2) No caso da maldade, ela é reversível?

Para as pessoas más, que se alimentam do sofrimento, não fará diferença educação científica ou sensibilização… então essa reversão é importante para que tenhamos algum alcance em nossas ações.