Não tem jeito, iubi quer viver! Então, o que fazer?

Desde que o projeto começou, sempre fui muito cautelosa com o iubi. Primeiro pelo apelo que ele gera, segundo pelo trabalho que estava realizando com a Citse e terceiro porque faltavam algumas fases e entendimento para que ele pudesse existir por completo.

Esse zêlo vem do fato de que estamos lidando com a saúde sim, mas também com a esperança das pessoas envolvidas. A minha responsabilidade não é garantir que o iubi saia, mas que ele de fato mude a forma com que as pessoas aprendam seus hábitos e melhorem o resultado dos seus tratamentos.

O iubi surgiu no Hacking Health Curitiba de 2017.

Não há quem não se encante com o projeto, mas eu precisava de mais do que empatia e engajamento. Eu precisava provar que o iubi se sustenta como empresa. Porque como empresa, temos mais condições de desenvolvimento continuo e sucesso.

E esse era um dos principais ofensores do iubi. Depois de analisar concorrentes e começar a conversar com potenciais clientes, percebemos que ele se mantinha como projeto, assim como tantos outros que vem se destacando no mercado, não tinha consistência para ir muito além disso.

Mas eu não posso me dar ao luxo de criar um projeto que será música de sucesso de um álbum só.

Meu papel como desenvolvedora de negócios é garantir escalabilidade, exponencialidade e solidez.

Com a estratégia usada de tentar parcerias e voluntários, conseguimos desenvolver uns 70% do game e paramos ali. Sem recursos, sem engajamento do time, sem entregas e com abandonos do programa que estávamos participando.

Nessa hora, comecei a sentir o peso que o iubi sempre me cobrou: assuma a liderança do barco e faça isso acontecer… Mas ainda não era a hora.

A mudança e o depois

Nesse meio tempo o iubi passou por mudanças no time, agora éramos eu e a Mari, nossa doutoranda em psicologia do comportamento. Faltava muito, o tempo já tinha passado e decidimos continuar, então começamos a agir.

Aplicamos em alguns processos de aceleração, continuamos tentando validar com diferentes clientes.

Convidei a Vianca para o time e para aplicar para o programa no Chile.

Aos poucos fui me permitindo assumir a responsabilidade, e cito aqui alguns dos meus desafios:

  • Área da saúde. Diferente de tudo que já fiz, sou de exatas e humanas, meu mundo sempre se resumiu a tecnologia, artes, negócios e afins. Apesar de eu ter sido uma boa aluna em biologia, e decorado as partes do corpo que me doiam nos treinos. Não tenho conhecimento suficiente, e passa uma certa insegurança quando você está falando com um dos maiores laboratórios do mundo e eles perguntam se a solução atende pacientes com fibrose cística. Confesso que nessas horas o Google é um ótimo companheiro, e como a Mari não consegue estar em todas as reuniões de negócios, eu tenho que me virar.
  • Comunicação. O iubi é fofo, traz luz e boas vibrações por onde passa. Eu sou pragmática e dura quando preciso, às vezes até quando não precisa. Não falo doce, brigo pelo que acredito. E pra mim, o iubi sempre precisou de uma pessoa mansa de fala e doce de coração o representando. E mesmo sabendo que não se muda a Bruna em um dia, me comprometi a melhorar minha comunicação, com técnicas e acompanhamento.
  • Falta de recursos. Novamente me vi cheia de projetos lindos, mas sem um puto na carteira pra dar de troco. Aí não dá, não há força no mundo que aguente o tranco. Falta energia e autoconfiança, e eu não podia mais fazer o iubi através de voluntariado, assim como eu não posso mais doar minha vida sem visar retorno. Desculpe os puristas, mas dinheiro é fundamental.

Juntei tudo isso no saco do medo e da insegurança, olhei bem pra dentro e disse:

  • Foda-se, vou fazer!

Claro que ter sido pré aprovada no programa de aceleração do Chile — Nosotras Creamos, deu uma energia extra e provocou toda essa análise. Mas eu ainda tinha alguns outros desafios: E a Citse? Como eu iria executar o programa? Como transformar o iubi numa empresa.

O renascer do iubi

Passei por questionamentos, durante duas semanas, sem dormir direito, teve dias que minha refeição foi uma palta (abacate) e maça, era o que tinha. Tava sendo pressionada para pagar o aluguel. De quebra, na mesma semana terminei meu namoro.

Conto isso, porque eu tinha tudo para fazer minha malinha e ir embora, procurar um emprego, e deixar, iubi, citse, tudo para trás. Eu quase fiz!

Mas faltou dinheiro para a passagem de volta ao Brasil. Jeeee!

E isso foi o melhor que me aconteceu. Resolvi o aluguel e abri mão do drama. A regra era clara, só eu poderia resolver esse problema. Prospectei Citse e Iubi como nunca, puxei mais e mais os questionamentos, queria entender, tomar uma decisão, resolver e seguir.

Conversei com diversas pessoas, excelentes conselhos, ótimas mentorias, mas ainda não era o suficiente.

Foi então que tive uma conversa que mudou tudo.

O dia D

Tenho uma métrica que se eu saio de uma mentoria achando que eu estou fazendo tudo errado, é porque ela foi excelente. E assim aconteceu, fui questionada sobre meu método de trabalho, sobre as validações e muitos por quê nãos.

Tinha questões que eu revia no meio da conversa, por que mesmo a gente decidiu por isso?

Faltava organização, faltava validação, o mindset tava cagado (pudera), mas eu senti ali a necessidade de mudar.

Dormi aquela noite como um anjo. Como é bom dormir. Pensei.

Acordei cedo e já comecei a ativar alguns parceiros.

  • Ei, vamos tentar vender o iubi via pre-vendas/crowdfunding

O problema quando a gente cria oportunidade, é que às vezes pode acontecer.

Pablo, amigo de anos e experiente em produzir brinquedos e artefatos tecnológicos disse sim.

Dali em diante, comecei a movimentar parceiros. A Sabrina disse sim para o marketing, o Rafael disse sim para certificações e regulamentações. São pessoas como eu, com suas startups buscando cada vez mais avançar.

Depois dos sim que precisava. Comecei a lidar com o que fazer com a Citse e o que fazer nos próximos 7 meses.

Primeira versão do iubi para o Hacking Health Curitiba — 2017

Os próximos passos e o Design Thinking

A vida por aqui se resume a questionar. Questionei tudo! Mas tudo!

Chamei a Vianca e a Mari, desenhamos nossas qualidades e pontos a melhorar, juntamos nossos princípios, valores e desejos para o futuro.

Vi ali um iubi diferente, mais forte, alinhado. Mais do que vender qualidade de vida, vendemos força e o iubi também é um lutador. Pela primeira vez eu me vi sendo a pessoa que o iubi precisava para se tornar real.

Desenhei o mind map da Citse e iubi, tudo que aprendemos nesse tempo.

Chamei o CTO da Citse e disse:

  • Como fazer isso?

Analisamos detalhadamente erros, acertos, caminhos. Foi mágico.

A resposta estava ali, em frente aos meus olhos. E mais, Citse e iubi tem a mesma tecnologia por trás, resolvemos melhor o problema da indústria, com nosso algoritmo de predição olhamos o processo e conseguimos prever melhorias e erros. Aplicar isso ao iubi traria solidez e uma condição de transformá-lo em uma empresa com possibilidades.

Decidimos manter a Citse operando nos próximos 7 meses somente no Chile, depois voltamos com o plano de expansão. Temos time e estrutura para isso.

Acordamos por um plano de cooperação tecnológico para que Iubi e Citse tenham acesso ao mesmo código de análise preditiva.

E assim surgiu o iubi, uma solução cognitiva baseada em jogos para a saúde.

Nosso primeiro produto é o Iubi for Kids, que usa gamificação da rotina do paciente para incentivá-lo a ter hábitos mais saudáveis e seguir o tratamento adequadamente.

Mas o iubi pode ser para outras doenças, pode ser para adultos e quem sabe até para crianças saudáveis. Deixamos de explorar a indústria de games e passamos a atender a indústria da saúde.

E para mim, a mais importante de todas, deixamos de lucrar com a doença e passamos a lucrar com a saúde.

Tudo isso deixou as coisas claras e suficientemente fortes para planejar, executar, aprender e seguir. Porque agora eu sei exatamente o que fazer com o iubi, sei como transformá-lo em um 10x, sei como levá-lo ao mercado e porque a solução se apresenta da forma que estamos oferecendo ao mercado.

O Iubi for Kids

Lançaremos a pre-vendas/crowdfunding do Iubi for Kids nos próximos dias.

Nossa solução compõe:

  • Game gratuito para crianças em tratamento de doenças crônicas que funciona de forma independente de outras soluções ou integrada com outros devices.
  • Hardware, amigo virtual que conversa com o paciente e recebe inputs de sua rotina, que será vendido por R$499,00 no Brasil e CLP 120k no Chile.
  • Dashboard para os pais configurarem a solução, aprovar atividade dos filhos e receber insights e alertas sobre melhorias e cuidados com o tratamento
  • Dashboard gerencial para médicos, alinhado com o histórico do paciente, necessidades, tratamento, report geral, insights e alertas em tempo real sobre o paciente.

Toda a arquitetura de sistema possui segurança da informação e está alinhada com práticas de segurança do paciente e compliance da área da saúde.

No processo de pre-vendas/crowd envolveremos comunidades e instituições. Será possível comprar o Iubi for kids para uma criança, doar parcialmente para que crianças listadas recebam o Iubi para seu tratamento, ou comprar e doar o Iubi para hospitais e instituições que entregarão para as crianças que eles já atendem.

Para a campanha ser viável, precisamos vender no mínimo 1.000 unidades.

A entrega das unidades ocorrerá no dia 22 de Dezembro de 2018.


O iubi quer viver e se tornar real, ele teve minha atenção e agora tem toda minha energia. Se você também quer ajudar o iubi a se tornar real. Estou disponível para falar sobre no: contato@iubi.me ou nas minhas redes sociais.


Obrigada a quem disse e ainda dirá sim para esse projeto que virou empresa e tem a missão de transformar positivamente a saúde de toda uma geração.

Bem-vindo a vida iubi.me

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