No fim é tudo sobre tentar, falhar e recomeçar.

Ao longo de todos esses meses desenvolvendo o IUBI, a coisa que mais aprendi foi sobre tentar, falhar e recomeçar.

Algumas vezes, demora um pouco entre o processo de escolher, fazer, errar, perceber o acerto, questionar e recomeçar.

As chances de errar aumentam quando o que está sendo feito conta com zero experiência do time.

A gente paga muito caro por não saber.

Seja abrir uma empresa em outro país, desenhar um produto, prototipar, escolher as pessoas certas, definir mercado, validar, tentar vender, validar. Pivotar, e assim por diante.

Cada etapa é um vale com infinitas possibilidades de errar. E dentro desse processo muitas vezes não se tem claridade, muitas incertezas e muitos achismos.

ESCOLHER

A escolha está presente sempre. Nas pequenas, ou nas grandes coisas. E muitas delas você está completamente cego, em outras, fala com advisor, com mentores, com clientes, com usuários, com pesquisadores, lê artigos, estuda, cria cenários e hipóteses...

Em outros, você só pega um caminho e vai.

O interessante nesse processo é criar o hábito de anotar o porquê está se tomando determinada escolha, porque isso é mais valioso do que escolher.

Quando estávamos prototipando, nossa primeira placa base de testes foi a Rasp zero W, depois testamos Orange Pi IoT 2G e descobrimos que seria um transtorno muito grande, surgiram mais 6 possíveis placas. 4 meses depois, voltamos para a Rasp zero W e a primeira pergunta que fiz foi...

- Por que desistimos dela mesmo?

Até hoje ninguém lembra com certeza, mas sabemos porque não escolhemos todas as outras, mas essa gestão da escolha e conhecimento sobre porque sim e porque não é muito importante.

Porque cedo ou tarde, será preciso voltar naquela decisão e escolher novamente por ela com mais dados e conhecimento.

FAZER

Cada vez que fomos desenvolvendo o IUBI fomos descobrindo mais e mais coisas dentro dele, quanto mais a gente desenvolve, mais caixa de pandoras vão se abrindo, algumas lidamos facilmente, outra nos custam energia demais e precisamos abandoná-las.

Planejar é fundamental, saber o que tem que ser feito, importantíssimo, criar backlogs, roadmap, essencial.

Mas a gente só descobre o tamanho do buraco, fazendo.

E não só porque o papel aceita muitas coisas, mas porque a gente cria caminhos que muitas vezes poucas pessoas passaram por lá e vão saber resolver ou escolher.

Fazendo, a gente descobriu que alguns celulares Apple não aceitam aplicação web, que o cartão precisa ser classe10, que o protótipo derrete com algumas tintas, que assumir ser um robo conquista mais pessoas, que um cartório cobra mais que outro no Chile, e assim por diante.

Fazendo é que a gente entende nossas limitações, como lançar uma campanha global via Indiegogo. A complexidade de se comunicar, de atingir outros mercados, de encontrar o público certo, de vender.

Agora já aprendemos muita coisa do que não deve ser feito. Mas só soubemos disso, fazendo.

ERRAR

A gestão do erro é a parte mais difícil de todo processo, envolve entender, envolve lidar com frustrações, envolve aprender e seguir em frente.

Ninguém gosta de errar, não é que a gente acorde e pense, nossa, que incrível fazer merda e aprender. Não, a gente pode sim aprender sem errar, e isso tem muito valor, principalmente pelo fator energia e desgaste.

Cada erro é um desgaste no time, na motivação e até na resiliência, que algumas pessoas tem, outras não.

Mas principalmente, porque quando o erro se torna evidente (depois da escolha e de executar), parece muito óbvio e certo. Mas em determinado momento, você precisou tomar decisões, escolher caminhos e testar.

E mesmo que outras pessoas tenham dito isso ou aquilo, alguma delas estará errada, outras mais certas, mas até que se escolha, faça e erre/acerte, tudo aquilo era uma hipótese sendo testada.

A gente erra, erra sempre e todos os dias. Seja na escolha da comunicação, na decisão de quando e como, na plataforma, no servidor, nas pessoas.

Quando lançamos a campanha, logo nos primeiros dias, recebemos dezenas de críticas, todas elas muito valiosas e poderosas do ponto de vista de percepção do usuário, de entendimento do produto.

Eu fiquei realmente feliz com o engajamento das pessoas. Quem tem a possibilidade de ter pessoas dando seu tempo e conhecimento pra te ajudar a corrigir algo? Isso é muito poderoso.

As pessoas, em sua grande maioria, vão apenas criticar, dizer que ficou ruim, dar risada e sumir, mas quando você tem pessoas gastando tempo e energia para dizer o que não funcionou para elas e o que poderia funcionar é algo raro, ao menos eu, em toda a minha vida profissional, raramente a vi.

O IUBI tem esse poder de atrair pessoas.

Porém, internamente, a gente não teve essa mesma leitura, e isso custou caro. Perdemos pessoas por não entender como fazer a gestão do erro.

Ao invés de dizermos: “falhamos nisso”, “erramos feio naquilo”, “eu disse que era melhor assim”. Pedi, vomo líder, que ao invés de trocar responsabilidades, focássemos em o que aprendemos com isso e o que vamos fazer daqui pra frente.

Não funcionou para todo mundo.

A gente rompe por dentro e por fora.

Errar dói, mas somente nos culpar pelos erros, ou entender que a outra escolha seria melhor, também não é 100% certo. A outra escolha também poderia dar errado. Porque são muitas variáveis envolvidas, só testando para saber.

PERCEBER O ACERTO

Tem uma passagem no livro "superforecasting" que eu amo e define muito a gente como ser humano, como negócios, como inovadores.

Somos chipanzés jogando dardos, tentando acertar o alvo. No caso, ele se refere a prever o futuro.

Mas aqui, cabe muito bem, sobre inovar, sobre tomar decisões e também aprender e seguir.

Nem todas tentativas deram errado. A diferença que os acertos geralmente são gradativos e não acompanhado de grandes eventos, como acertar o dardo no alvo e entender o que deu certo.

Muita coisa já deu certo no IUBI, a escolha do personagem, o problema que a gente resolve, como a gente resolve, o mercado que a gente está inserido, a linguagem, a tração absurda que temos. As infinitas validações e aprendizado que colecionamos.

E perceber isso é importantíssimo, porque senão dá a sensação que nada deu certo e acabamos desistindo.

Temos que assumir que não é nada, nada fácil desenvolver um projeto, complexo e inovador, se não tiver resiliência e consistência.

Estaria eu supresa se tivessemos acertado tudo de primeira, sem os recursos necessários, com o tempo curto, com tantas mudanças no meio do caminho. Com a imensa dificuldade de encontrar as pessoas certas para aquele momento do projeto.

O que aprendemos tem que funcionar para tudo: erros e acertos. É assim que nos tornamos sólidos e persistimos.

QUESTIONAR

Ainda estamos quebrando a cabeça para entender como vender as 500 unidades necessárias para seguir com o projeto.

Temos muito a validar até chegar ao ponto que desenhamos, mas muitos questionamentos se passam, inclusive se o ponto que desenhamos é o correto.

• fechar as vendas e retomar mais tarde com produto mais desenvolvido?
• tentar novas técnicas?
• mudar completamente o foco?
• mudar preço?
• mudar público?
• e se...

Claro que temos plano B, claro que o projeto não acaba se não vendermos agora. Sabíamos disso, e por isso arriscamos.

Estamos perto e ainda precisamos entender muita coisa. E por mais que possamos encontrar respostas óbvias, tem muita coisa ainda a ser descoberta.

Questionar ajuda a não ficarmos estáticos, ajuda a gente a encontrar respostas e seguir.

RECOMEÇAR

Parece tópico auto ajuda, mas é muito real. É normal falharmos, é normal acertarmos, é normal questionarmos, é normal desistirmos, é normal cansarmos, é normal, muito normal congelarmos.

No momento que paramos de crescer as vendas e perdemos uma pessoa chave na campanha, eu congelei.

Todo o peso dos últimos meses, meus fantasmas, as responsabilidades e as loucuras para chegar onde chegamos, bateu.

Eu, que já carregava algumas doenças no meu corpo, me vi estagnada, nem sorriso, nem choro, apenas um pesar de: ainda não foi dessa vez.

Todos os pontos acima citados haviam se cumpridos, mas faltava um, o de entender que se a gente para, tudo para.

Desacelerei, respeitei meu tempo, o tempo dos demais, segui a máxima de: aprenda a descansar e não desistir.

Estou nesse momento, indo lançar o IUBI no Reino Unido, é uma estratégia já pensando nos próximos 6 meses, que solidifica o IUBI como empresa e não como campanha. Não podemos parar.

Ainda não temos todas as respostas, mas uma coisa é certa, quando entendemos esse ciclo e nos renovamos dentro dele, as coisas acontecem.

E por isso volto a afirmar: o IUBI vai acontecer.

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Se quiser nos ajudar, é possível comprar ou doar um IUBI: https://www.indiegogo.com/projects/iubi-a-robot-to-improve-health-quality-of-life/

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