Bru Paese
Bru Paese
Jul 24, 2015 · 8 min read

Entenda o caminho que está sendo seguido por empresas e empreendedores para construir um futuro melhor.

Toda vez que alguém pergunta “por que o empreendedorismo?” e comumente associam ao fato do empresário/empreendedor ser o próprio chefe, questiono se sou uma entusiasta e vejo muito mais coisas do que deveria, ou se ainda não é senso comum os benefícios e vantagens do empreendedorismo.

Quando alguém me pergunta o que é o empreendedorismo — e até mesmo o intraempreendedorismo — automaticamente direciono para o empoderamento e o protagonismo que é assumido ao ser um empreendedor, na capacidade de transformar vidas e empresas e a própria sociedade.

Nós somos basicamente e historicamente programados a fazer o que tem que ser feito e só. O desencorajamento é gritante e quanto mais desprovido de privilégios, mais arraigada é a ideia de conformidade com a situação. Primeiro porque já é necessário correr atrás das diferenças herdadas e segundo porque há uma forte programação e linguagem, além da falta de estímulos na formação do indivíduo.

Mas aí vem uma situação que muda muita coisa, inclusive que teve total interferência na história do empreendedorismo brasileiro, que quando não se tem mais nada a perder assume-se riscos e assumir risco é uma das principais características do empreendedorismo. Quando as pessoas se dispoem a assumir certos riscos, saem da zona de conforto e começam a pensar em formas de sair e resolver os problemas, estimulam a criatividade, cenário este que é extremamente favorável à inovação. E é por isso que o Brasil, seja por necessidade ou por oportunidade, se tornou um dos países mais empreendedores do mundo.

E o que considero mais incrível disso tudo é que são ações que vão além dos discursos políticos sobre minoria. São exemplos reais de como tratar a causa do problema, não a consequência dele.

Dizer que mulheres ganham menos, que negros não tem acesso e pobres não tem oportunidades é a linguagem e atinge o campo das ideias. Gerar empregos, tornar pessoas protagonistas de suas próprias vidas, empoderá-las, diminuir a pobreza e a desigualdade social e de renda, é o resultado. É quando saímos dos cenários políticos e emblemáticos e começamos a realizar e disseminar o que acreditamos, com mudanças práticas na nossa sociedade.

Por outro lado, podemos acompanhar centenas de milhares de personagens e fatos de pessoas que se emponderaram, saíram de suas zonas primárias, prosperaram, geraram empregos, mas também exploraram a mão de obra, prejudicaram o meio ambiente, pioraram o hábito de vida das pessoas, tiveram lucros absurdos sem dar a contra-partida enquanto seus funcionários continuavam tendo pouco retorno e até condições duvidosas de trabalho. Esse foi um pensamento que veio mudando ao longo do tempo. principlamente por caracterizar o estigma do tão criticado sistema capitalista.

Acontece que essa luva já não cabe mais em nossas mãos, por mais que o pensamento ainda se propague, que as pessoas continuem empreendendo e enriquecendo, por alguma razão, o mundo começou a perceber que a contrapartida é importante. E que só empreender não basta.

É tempo de fazermos nossos negócios mais humanos e no processo lhes dar uma melhor chance de sobrevivência. Ibrahim Cesar

As inimiga piram no talento com o paint

Modelo tradicional: a riqueza concentra-se na figura do dono/acionista tendo boa parte do seu lucro direcionado ao governo, para que dessa forma o Estado possa atuar distribuindo a renda acumulada. O empregado é visto como uma parte do processo e não o corresponsável por ele, tendo pouco protagonismo e muitas vezes tendo baixa remuneração e poucas condições favoráveis de trabalho. O impacto social é secundário e muitas vezes desconsiderado.

Modelo Contemporâneo: a riqueza continua sendo concentrada no topo, porém com uma distribuição de lucro entre os funcionários, pagando bonificações e reinvestindo na produção. Ainda com a figura do Estado sendo um dos principais responsáveis pela retenção de boa parte da riqueza gerada e na destinação dos recursos. As empresas passam a se preocupar com o impacto gerado, ainda com baixos investimentos no desenvolvimento desses propósitos.

Novo modelo: a riqueza é diluída e distribuída durante as etapas do processo e o lucro é destinado ao topo, governos e acionista, aos funcionários, a cadeia produtiva (através de investimentos no desenvolvimento, sociais e ambientais, de comunidades, entornos, fornecedores e prestadores de serviço). Essas empresas estão equilibrando o impacto que elas geram com a formação de riqueza e a inclusão de propósitos, sociais e econômicos. O governo ainda tem um papel importante no retorno à sociedade, porém passa a ter cada vez mais corresponsabilidade nas ações por parte das empresas. Empresas preocupadas com o propósito e impacto gerado.

Futuro: Todos são responsáveis pelo desenvolvimento e retorno das empresas e pela geração de valores sustentáveis. Governo, investidores, empreendedores, funcionários e stakeholders dividem o lucro entre a ‘nuvem’ — comunidade que pertence ao ambiente dos negócios — de forma mais igualitária. Essas empresas são pensadas e desenvolvidas para gerar impacto positivo e alto retorno social.

É por isso que dentro deste cenário, a inovação, as startups e o empreendedorismo social tem sido tão importante nessa nova fase de transformar e melhorar o que conhecemos. Quando associamos a tecnologia com o social encontramos mudanças significativas nos processos e nos resultados obtidos. É de onde surgem melhores condições e qualidade de vida, acesso, redução da desigualdade de rendas e sociais, facilidades, otimização e redução de custos. A tecnologia é uma das principais ferramentas utilizadas pela ONU no combate das desigualdades e problemas enfrentados em todo o mundo. Ainda que exista o medo (questinável) da tecnologia substituir os homens e com isso acabar com a geração de empregos.

Imagine um mundo onde ninguém precisasse ter emprego, que o trabalho não fosse a obrigação do homem e que seu tempo estivesse dedicado a criatividade e a inovação.

Difícil imaginar e provavelmente nossa geração não presencie essa transformação por completo. Até parece ficção científica, e quem pode afirmar que isso não é futuro?

Entretanto, a tecnologia por si só não basta, é preciso pensar no impacto ambiental, social, economico e também cultural que essa nova proposta ou solução trará, tanto nos aspectos positivos quanto, e principalmente, nos negativos. Um exemplo desses dois pólos? O tão polêmico e combatido Uber, que apresentou ao mundo uma nova forma de conduzir o transporte público para um público a e b e vem recebendo processos e questionamentos sobre sua forma de oferecer serviços e política de retorno aos prestadores de serviço.

Esse dias li esse artigo aqui, que retrata a importância em se pensar no impacto que uma solução de economia criativa pode trazer durante todo o ciclo de desenvolvimento, implementação do produto e uso. Tem de se pensar na corresponsabilidade da mudança que ocorrerá. Afinal de contas, a mudança positiva precisa trazer a evolução e não retrocesso, caso contrário ela não se solidifica ao longo do tempo. Utopia? Idealismo? Talvez. Acontece que, pensar nisso é fundamental para essa nova forma de criar negócios que o mundo valoriza cada vez mais.

Espero que essa frase não seja do Charlie Chaplin ou da Clarice Lispector.

E meus amigos, é extremamente difícil ser idealista no mundo dos negócios, principalmente se o negócio não for seu. Na prática, ou o que a impede de se tornar real, é bem diferente do que idealizamos e, o caminho entre o que se deseja e o que se alcança tem uma infinidade de fatores que contribuem para que o resultado muitas vezes não aconteça. Por isso, é muito importante pensar desde o começo na sustentabilidade, no propósito e no impacto gerado a partir dos negócios.

Seja uma empresa de tecnologia, seja uma empresa tradicional, uma startup, empresas de mobilidades urbanas ou que promovam o desenvolvimento de cidades inteligentes, o foco no desenvolvimento sustentável tem que existir desde o início. Porque a sustentabilidade não vem com o tempo e com o $$, ela vem de escolhas e escolhas são feitas desde o momento que se tem uma ideia.

Mesmo que esse não seja o futuro, é o desejo que tenho para ele.


Exemplos reais

A Vicky & Bardot é um exemplo de uma empresa pensada desde o início para ser sustentável e dinâmica. Ela foi inteiramente projetada e planejada para tornar prática todas as minhas inúmeras teorias e vontades em relação a desenvolvimento, cadeia produtiva, impacto social, comércio justo, sustentabilidade corporativa e a mais difícil de todas, inovação no mundo da moda através de processos. Estamos muito longe de chegar no ideal, mas já estamos bem à frente da maioria das empresas do mercado de moda do Brasil e do mundo. E ainda falta muito.

Mas o que mais inspira nesse processo, o que mais motiva seguir em frente, é ver a mudança na vida das pessoas envolvidas. Porque ela não está sendo construída por mim, pela minha irmã, pelas costureiras parceiras, pelas parcerias de conteúdo e marketing, pelos clientes engajados e amigos, unicamente, ela é feita por todos que acreditam no projeto e de alguma forma, quando a empresa estiver dando bons frutos, todos estarão dentro da nuvem, compartilhando e desfrutando do que foi construído. Isso é futuro!

O presente inspira, ao ver que minha irmã, uma pessoa extremamente competente, mas de autoestima baixa e sempre subvalorizada onde trabalhava, hoje está confiante e acreditando ser capaz de construir coisas valiosas. O mesmo acontece com as parcerias com as costureiras que recebem o valor justo pelo seu trabalho e ainda contam com o apoio no desenvolvimento de seus próprios negócios.

Porque é sim nossa responsabilidade e é, acima de tudo, o melhor que o empreendedorismo pode fazer por nossas vidas.


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Bru Paese

Ajudo empresas a identificar falhas e problemas invisíveis a maioria das pessoas, trazendo soluções e fomentando a inovação. 📠 contato@tambor.biz

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