A felicidade da higiene bucal

Tinha um banheiro pequeno e os azulejos eram um tom de bege, eu acho. E aqueles espelhos que se abriam em armários? Faz tempo que não vejo desses. Eu ia atrás de você para a gente escovar os dentes juntas. Creme, escova, água — tão simples. Eu te olhava lá de baixo, você fazia caretas e eu ria, sempre ria. Isso já faz 16 (!!) anos. Não importa o ultraje que a gente sente quando percebe que o tempo passa, os segundos só continuam somando, se transformando em dias e anos.

O tempo nos tira muita coisa, não é? Em troca, nos dá algumas histórias para contar. Essa semana fui ao seu banheiro, mãe, e a gente escovou os dentes juntas de novo. Você fez as mesmas caretas e eu gargalhei que nem naqueles tempos lá de trás. Mas dessa vez foi diferente, minha risada se embargou e eu saí do banheiro rapidinho para você não enxergar as lágrimas tímidas que se formavam nos meus olhos. Sabe quando você vê um filme pela segunda vez e percebe novos detalhes? Foi assim, tipo um déjà vu, e eu percebi que a vida nos dá o presente de sentir uma felicidade intensa e genuína em cenas repetidas.

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