para toda circunstância, há um porquê.

as vezes eu duvido disso, mas daí eu lembro que não acredito em acaso, muito menos em destino.
mas eu creio sabiamente que toda, e qualquer situação, em algum momento servirá para algo.
seja a conta de matemática feita na escola, ou o tutorial de como trocar tomadas visto no YouTube.
talvez, não sirva pra uma prática e ação. mas levará a lembrança que tu sabes. enfim, não interessa a ordem, a ação, nem mesmo o fim.
mas nada de fato é em vão.
as vezes me martirizo a pensar que há sim um vão. um grande vão entre eu e o tal abismo. que parece nunca desmoronar. no máximo ameaça se destruir, mas no fim, o que ele destroi, sou eu.
tem dias que eu penso "puta merda eu acabei de sair de uma mega crise depressiva duradoura e aqui estou de novo, só tu e eu". eu refaço as milhões de cenas que me submeti, relembro os amigos que perdi, os que partiram e os que deixei partir. os que me deram a mão, mas logo acharam um meio de me punir, afinal, o erro nem sempre é nosso, mas tudo bem. logo, me vem, que a gente aprende na queda, talvez não confiar tanto, talvez não se entregar tanto. quem sabe até, fazer tudo de novo, mas com mais amor e com mais fogo. os caminhos, são vários.
hoje me ocorreu de novo "porque diabos eu tô passando por isso?" hoje eu quis que a dor fosse em mim, que o choro fosse meu, mesmo que ao redor não houvesse nenhum amigo, ou amor meu.
mas creio eu, que já passei pelo meu desafio, e hoje eu sou expectador, assim como tu agora, tu mesmo que me lê, me vê, mas não pode por mim, nada fazer.
tem dias que eu chego, encontro choro e dor, tem dias que eu nem parto, mas acordo com isso-que-ainda-nao-sei-como-chamar.
eu vejo tanta gente indo, tanta gente vindo. aqui continua da mesma forma. o teto goteja, o café cheira forte, o peito arde, o olho chora. mas hoje não sou eu. e eu não posso fazer nada, assim como muitos um dia não puderam fazer por mim, hoje eu vejo essa cena dolorosa. de novo eu só peço compreensão para que me compreenda e para que eu possa compreender.
a morte me cerca, um suspiro de alívio, outro de dor, já pensou?
todo dia eu choro um pouquinho, eu sumo um pouquinho, eu rezo um pouquinho, eu faço tudo de pouquinho porque não sei a soma certa pra fazer esse pouquinhos multiplicar.
hoje faz frio, hoje faz dor. hoje falta um pouco de amor, falta gesto, falta modo.
hoje, por dois minutos falta paz
"libera ela", digo eu.
e assim ela vai.
vai em paz.