pra si

buk uma vez disse "é um longo caminho de volta, mas de volta para onde?"
me ocorreu que o caminho é nós. nosso interior. amor as vezes parece que não tem nada a dizer sobre dois e tudo a dizer sobre um. tanto vemos amores únicos por todos os lado, mesmo que conjuntos. tanto vemos aquele que ama tanto, que as vezes parece não se amar, tanto vemos o amor de um para outro, mas pouco vemos o de outro para um.
ocorreu-me também que amor é isso, um longo caminho de volta para si.
acabamos por esquecer que antes de sermos dois, somos um. antes de amar tanto o próximo, amamos muito a nós mesmo.
a prova tá nas vezes que ouviu música sozinho, ou quando fez comida apenas para ti, sem contar das vezes que saiu só, nesse tempo, o amor saia de ti, para ti, ia e vinha, sem cobranças nenhuma. 
as vezes tropeçamos por aí, e acabamos que vemos alguém que ali podemos depositar um pouco de nós, e eles depositam um pouco deles em nós também, vira então uma troca mútua de eu-para ti, tu-para-mim. parece até sonho, ouvir uma música com o seu quase-voce. sair com o seu quase-voce. fazer comida com o seu quase-voce. transar com o seu quase-voce. tudo parece melhor com o seu quase-voce. porque vemos ali a chance de mostrar o nosso eu para outro e saber que mesmo com um defeito ou outro, acaba agradando. sem contar que o outro faz o mesmo, deposita em ti um pouco dele. e tudo parece melhor, ouvir música com seu quase-voce é melhor que ouvir música apenas-com-voce. mas acontece que algumas vezes a corda sede, e encontramos no seu quase-voce coisas que o seu você não gosta, coisas que para você são imperdoáveis. acontece que algumas vezes tu deposita tanto de ti no seu quase-voce que ele se assusta por ter tanto de ti nele, e pouco dele, nele mesmo. então cada um vai para o seu lado, cada um se distancia, e o seu quase-voce leva o seu você com ele e tu por sua vez, fica com o seu quase-voce.
e aí que chega o tal caminho. o caminho de volta parece horrível, já que seu você não sabe mais ouvir músicas sozinho, nem sair, nem fazer comida, nem fazer nada. nem da prazer a si mesmo parece bom, já que tu faz isso pensando no seu quase-voce. 
a gente demora até se acostumar, ou até se lembrar que outro dia era você-e-você. que tudo partia de ti-para-ti. 
algumas vezes eu creio que amamos o próximo para simplesmente aprendermos a nos amar. e algum dia, quando finalmente pararmos de despositar tanto de nós nos outros. quando finalmente for um nós, mas você-com-você e eu-com-eu, ai sim, tudo pode finalmente acontecer e esse longo caminho de volta não vai existir porque tu nunca precisou ir, então não precisa voltar.
mas uma vez que se lembre que um dia foi tu e tu, não voce-e-ele, ele-e-voce.
ai tu vai descobrir a importância de se amar.