Sem Alarde #02

RUSSOS

Ontem deram uma festa no apartamento ao lado, onde moram os russos. Teve polca, tiros, momentos de silêncio e mais tiros e isso durou até umas cinco da manhã, sendo que, às duas, fui lá pedir silêncio. Um russo me disse alguma coisa em russo e entendi que eu deveria entrar e ficar à vontade. Tentei me entrosar com um grupo na mesa de carteado, que na ocasião jogava uma partida de roleta-russa. Lembrei dos tiros de mais cedo e tudo fez sentido. Apesar da grosseria tipicamente russa, quando alguém morria de uma hora pra outra sem ao menos se despedir, até onde lembro tudo correu bem. A certa altura eles riram não sei de quê, então eu ri com eles, então eles riram de mim e logo estávamos todos bebendo e gargalhando, gargalhando e atirando, atirando e nos divertindo. Esses russos sabem mesmo como dar uma festa.
Hoje, segunda-feira, acordo com uma ressaca terrível. Tomo um banho quente, bebo uma xícara de café, visto o chapéu, que é efetivo em esconder o buraco na têmpora, e saio para o trabalho. No elevador, me dou conta de que esqueci o resto da roupa. Protejo as partes com o chapéu e volto para o meu apartamento. Segunda é um dia difícil…

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