Questionando o Ser Humano

Amida Buda

O budismo, e particularmente o Shin, pode ser definido como a Religião do Encontro. Entretanto, isso não significa que apenas o Encontro seja importante. Eu acho muito mais importante a problemática que começa a desenvolver-se a partir do Encontro. Este pode ser definido como sendo a experiência que nos faz tomar consciência de estarmos sempre a julgar os outros, o mundo e a nós mesmos a partir de padrões egocêntricos a definir o bem e o mal, o certo e o errado, o compreensível e o incompreensível, etc. Entretanto, logo após o momento seguinte ao Encontro, nós transformamos aquilo que encontramos numa meta. O budismo critica como uma forma negativa de soberba a atitude da pessoa rebaixar-se e depreciar-se. É um segundo EU que contempla meu EU de fora para dentro que me deprecia. O EU exterior julga o EU que é visto por ele. Julga-o a partir de um padrão de bem e de mal. O EU que julga a partir de uma decisão sobre o que é bom e o que é ruim é sempre um eu que é um expectador externo. Quando ele acha que atingiu a meta, está de volta ao ponto de partida.

Nós só conseguimos ver o mundo a partir de nossa própria ótica. Em suma, nada mais podemos fazer a não ser permanecermos prisioneiros de sua estrutura. Esse nosso EU, através de um Encontro, toma consciência de seu caráter falso. É assim que ele finalmente se torna capaz de ouvir o Dharma. Tal é a salvação segundo a Verdadeira Escola da Terra Pura. É pelo fato de eu errar que torno-me capaz de ouvir. Esse é o ponto de partida. Não é que o Eu necessite estar sendo continuamente destruído. Ele é indestrutível. O esquema de julgar em conformidade com padrões subjetivos jamais se modifica. Por isso, é necessário seguir continuamente à escuta. Esse estado de dissociação entre o eu e o outro é a própria natureza deste mundo profano ou mundo-saha. Por isso não tem sentido adaptar o budismo ao mundo-saha para tratar da problemática de como viver.

Quando questionamos a maneira de viver sem que tenhamos consciência disso, tomamos como premissa o Eu e o Outro, ou seja, o Eu e a Sociedade, o Eu e o Mundo, etc. Essa maneira de ser é definida como ilusória pelo budismo. Se não tivermos uma perspectiva de questionamento da própria condição humana, não será necessário o budismo. Por que o budismo? Por que o Shin? Porque o problema é como posso viver como ser humano.

– Reverendo prof. Futoshi Takehashi
Tradução: Reverendo prof. Dr. Ricardo Mário Gonçalves