Ride

Existe um trecho de uma música que diz: “Been trying hard not to get into trouble, but I’ve got a war in my mind”. Pois então, é exatamente assim que eu me sinto nesse dezembro que não quer terminar. Sabe, vocês que me leem, eu pensei ter aprendido o sentido de “você tem duas orelhas e uma boca, portanto escute mais e fale menos”. Acreditem, isso é mais certo do que o sol nascer toda manhã. Mesmo que não o vejamos. Da última vez que estive aqui falei sobre escolha, sobre entender quem é você e como se portar com suas “predeteminações”e “bolas de neve”… (risos). Hoje volto para falar um pouco de como minhas experiências me fizeram sair de um agosto nublado, para um dezembro cheio de erros e acertos.
Então, houve estudo, empenho e bastante sacrifício para que conseguisse terminar mais um período na faculdade; trabalhos voluntários e entrevistas de emprego. Aliás, essas entrevistas tiraram meu sono muitas vezes, pois no fim diziam sempre que eu não era o perfil da vaga. Confesso ter duvidado da minha competência durante algum tempo, porque não conseguia entender o motivo de só eu não ter o perfil desejado. Conforme os dias, semanas e meses foram passando, comecei a perceber que não era exatamente assim. Quando se mira sem focar não há como acertar. E era isso que eu fazia: me aplicava para várias vagas sem entender que existe sim um perfil e que uma hora o seu vai ser encontrado.
Quando novembro chegou, me vi envolvido em diversas atividades que me faziam acreditar que existia ali uma rotina de trabalho. Não sei se era despeito por eu ser, ainda, o único sem emprego ou se era a minha ânsia por trabalhar que me empurrava para esse vórtice, mesmo não fazendo ideia de que já estava no olho do furacão. Foi em novembro também que conheci pessoas novas, gente que de um certo modo mexeu com a minha percepção e me trouxe uma nova ótica. Foram elas que abalaram o que hoje é um resquício de estrutura, me desmontando e expondo o que lá em agosto eu acreditava ter aprendido. Foi em meio a destroços e perdas que me fiz forte, pelo menos aparentemente. E acreditem: somos nossos próprios limitadores. Portanto,”mexa-se”! O tempo não para.
O escaldante mês de dezembro me fez refletir e entender mais as pessoas, usar aquela máxima lá em cima em um nível exorbitante. Estava dando tão certo que consegui cumprir em semanas, metas que levei meses tentando alcançar. Aí chega um alguém que novembro trouxe e te desmonta mais uma vez. E desta vez de um modo novo, diferente… E você fica “cabreiro”, com o pé atrás, mas escuta o que ela tem a dizer e mesmo já tendo vivido situações dessa mesma natureza, você escuta, retribui e mergulha sem pensar duas vezes.
Hoje mais cedo só uma música podia mostrar o que eu sentia, mas aqui, sentado escrevendo para vocês e para mim, vejo que outro trecho é totalmente de acordo com o momento. A letra é da Rita Lee, e diz: “choro até secar a alma de toda mágoa, depois eu parto para outra.Ainda estou na primeira parte, naquela em que choro até secar… Não consegui partir para a pós vírgula porque não quero perder aquela pessoa. Por isso a canção Ride me representa tão bem, pois “I’m tired of feeling like I’m f*cking crazy,i’m tired of driving ‘til I see stars in my eyes…”
So, I just ride, I just ride

Autor: Gustavo BUna

Revisão: Samyta Núñez