nana
nana
Aug 9, 2017 · 1 min read

escorre

e percorre por toda a pele

de meu rosto cansado

derrama e seca

se acolhe e se acomoda em minhas olheiras

deixe salgar e caminhar por todas as minhas linhas

por todas as minhas marcas

pois a dor de esperar para sentir novamente

é maior do que a de não ter a possibilidade de tê-la

acumulada em minh’alma no canto do quarto, dou um mergulho

minha vida inteira sempre achei

que você era mais raso do que aparenta

o vômito de tua íris fecundava toda a força que eu escondia

de baixo dos meus braços

e nado

e nado

e nada do que eu via

se assemelhava

com o copo vazio que em teus olhos

eu enxergava

e vivo

vive, vívido

toda a dúvida que um dia eu tive ao cheirar teu pescoço e perceber

que tu sempre foi

e sempre escorreu

tuas próprias lágrimas

sob meu corpo

continuei sendo assim, o teu corpo

no meu

vivenciando o teu ser em mim

adentrando cada parte e cada lugar

onde a secura

já não se encontrava mais

onde o mar que eu duvidava nadar

em ti

já transbordava completamente

e acariciava levemente os meus cílios,

no ato de cair no vazio

como eu confiei e deixei-me cair em ti

como em meu peito vazio, se preencheu

e assim, tudo voltou ao que era antes

em meus rios, teus lagos

já não éramos mais o (a)mar.

    nana

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    nana

    perdida em minhas palavras.

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