escorre
e percorre por toda a pele
de meu rosto cansado
derrama e seca
se acolhe e se acomoda em minhas olheiras
deixe salgar e caminhar por todas as minhas linhas
por todas as minhas marcas
pois a dor de esperar para sentir novamente
é maior do que a de não ter a possibilidade de tê-la
acumulada em minh’alma no canto do quarto, dou um mergulho
minha vida inteira sempre achei
que você era mais raso do que aparenta
o vômito de tua íris fecundava toda a força que eu escondia
de baixo dos meus braços
e nado
e nado
e nada do que eu via
se assemelhava
com o copo vazio que em teus olhos
eu enxergava
e vivo
vive, vívido
toda a dúvida que um dia eu tive ao cheirar teu pescoço e perceber
que tu sempre foi
e sempre escorreu
tuas próprias lágrimas
sob meu corpo
continuei sendo assim, o teu corpo
no meu
vivenciando o teu ser em mim
adentrando cada parte e cada lugar
onde a secura
já não se encontrava mais
onde o mar que eu duvidava nadar
em ti
já transbordava completamente
e acariciava levemente os meus cílios,
no ato de cair no vazio
como eu confiei e deixei-me cair em ti
como em meu peito vazio, se preencheu
e assim, tudo voltou ao que era antes
em meus rios, teus lagos
já não éramos mais o (a)mar.
