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POR QUE OS ARTISTAS INDEPENDENTES ESTÃO FALANDO SOZINHOS

e desperdiçando um potencial enorme de construir comunidades.

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Artistas independentes são influenciadores. Micro-influenciadores, mas ainda assim, influenciadores.

Eu sei, essa expressão já foi usada demais nos últimos tempos e está desgastada. Porém, por mais que você, artista independente, não goste da palavra, é melhor aceitar que você é tão influenciador digital quando qualquer um dos youtubers que você acha meio palha (e também os que você secretamente acompanha).

Minha visão vai até um pouco além disso: eu realmente acredito que TODO MUNDO que está colocando conteúdo na internet hoje em dia, mesmo que seja a foto do almoço, é uma mídia e está influenciando alguém. Cada pessoinha.

Então por que com artistas independentes seria diferente?

As vezes só o que a gente quer é fazer música, criar, tocar, gravar. Mas pensar que tudo que um artista deve focar em fazer se resume a música é pensar com uma cabeça meio antiga e limitada. O artista, hoje, precisa fazer muito mais.

Mais música, mais making of, mais conteúdo pra contar curiosidades, detalhes, pra mostrar que tipo de instrumentos você usa, como é o processo de gravação, pré-tour, tour, pós-tour, tudo.


Talvez os artistas independentes deveriam mesmo estar filmando praticamente todo o seu processo de criação hoje em dia pra distribuir isso numa grade de conteúdo online minimamente estruturada.


Uma banda que manda muito bem nisso é a Supercombo. Dá uma sacada na grade de conteúdo que eles criaram pro canal de Youtube deles:

É assim que funciona a construção de uma comunidade em torno de conteúdo na internet, e basicamente é isso que a gente deveria estar correndo atrás: da construção de uma comunidade de pessoas pra ouvir o nosso som.

Ou seja, nosso público.

Tendo uma base de público legal, um artista independente ganha um poder absurdo pra negociar cachê de show, patrocínio de marca, espaço em festivais, qualquer coisa. Não interessa muito o fato de você ter lançado o melhor álbum do mundo se não conseguiu se conectar com ninguém. A gente não vive mais a era dos críticos especialistas e quem decide o que é ou não é relevante hoje em dia é o público.

Simples assim.

Pra entender isso de vez é muito importante que se aceite primeiro a realidade na qual estamos vivendo: o fato de a gente estar na internet é, na verdade, uma coisa muito boa. Dá uma olhadinha ao redor e você vai perceber que não são os nativos digitais que estão tentando migrar para a TV ou pra outras mídias de massa, mas sim o contrário.

O digital já é o mainstream, assim com o celular já é a primeira tela pra muita gente!

Não precisamos ir para o macro. O nosso mundo micro funciona muito bem. A internet provavelmente seja o melhor lugar para se construir uma comunidade em torno de qualquer coisa que seja, inclusive o seu projeto musical, mas é preciso entender como as coisas funcionam por aqui.

Será que lançar algo de 3 em 3 meses ainda faz sentido? Será que a fórmula single — single — álbum ainda faz sentido? Será que até mesmo fazer um álbum ainda faz sentido?

Ou a gente deveria estar mais focado em lançar, sei lá, uma música por dia e registrar o processo? Em criar uma série de músicas tocadas ao vivo em regiões diferentes do país colaborando com artistas locais e fazendo vídeos de tudo isso?

Eu não sei, mas se você testar alguns formatos novos eu adoraria saber como foi o resultado. Testa e conta aqui! :)

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