Quando você para de tomar anticoncepcional.

Vim aqui falar sobre minha experiência com o tão famigerado anticoncepcional. Decidi fazer isso mais pelas informações que não encontrei em nenhum lugar do mundo e pelas quais eu tive que passar às cegas, experiências que me deixaram insegura e paranóica e que eu não gostaria que nenhuma outra mulher jamais tivesse que enfrentar sozinha. Acho interessante salientar que nesse post eu não vou falar sobre como funciona um anticoncepcional porque isso você consegue achar facilmente na internet e meu foco aqui é dar atenção àqueles pequenos detalhes que ninguém te conta, tornando-os tão importantes quanto todo o restante do conteúdo.

Então vamos começar decididamente por aquilo que é menos incerto sobre isso tudo: Cada corpo funciona de um jeito diferente. Quando você recebe uma indicação de um anticoncepcional é muito importante que você já saiba que é muito provável que ele possa dar ou não certo e que ele te traga as mais diversas consequências para seu corpo. Existem diversos depoimentos no youtube que você pode explorar para tirar suas dúvidas porém é quase certo que você não encontre ninguém que passa exatamente pelo mesmo que você está passando. Isso porque seu corpo é único e ele vai achar o próprio jeito de lidar e com as alterações hormonais ao mesmo tempo em que lida com suas milhares de outras funções, além de tentar equilibrar tudo isso.

Ninguém me contou que meu fluxo iria diminuir, mudar de cor, que ele poderia simplesmente não vir (!!!), que eu teria que gastar a mais com lubrificantes, que eu perderia toda a vontade. Ao longo dos meus quase 3 anos ingerindo o mesmo anticoncepcional todos os dias eu fui descobrindo isso e ficando cada vez mais frustrada. Outra verdade sobre tomar anticoncepcional que não te contam é que você não pode ser pobre para poder ter acesso a ele, mas isso é assunto para outro post.

Algo que deveria te trazer alguma segurança passa a ser o respondável crucial para seu bem-estar. Falando em segurança posso salientar que estar tomando anticoncepcional não é, de forma nenhuma, opção para se livrar do método de barreira. Muitas jovens o utilizam como fuga do preservativo e esquecem das DST’s, das porcentagens que precisam ser cobridas e consideradas. Então não basta usar um só método.

Além disso o anticoncepcional deve ser escolhido quando você está num relacionamento estável, uma vez que fazer sua ingestão para razões que não sejam para controle hormonal, como pedem os casos de ovário policístico, é se arriscar nas múltiplas consequências que ele traz para sua saúde. Nem precisa deixar claro que não é vísivel a possibilidade de que você o faça sem acompanhamento médico. Drauzio explica:

https://youtu.be/iJPRb-gHzcE

Então vamos para a parte mais obscura dessa história toda e que é o título desse post. Uma hora você vai ter que parar de tomar o anticoncepcional. Seja por causa do fim do relacionamento, seja para testar se ele está influenciando sua libido, seja porque você simplesmente decidiu se libertar dele.

No meu caso, eu queria testar se ele era realmente o motivo que me fazia estar completamente alheia a qualquer estímulo sexual. Depois de responder essa pergunta óbvia tomei conhecimento de algumas respostas que meu organismo me mandava. Um exame de papanicolau indicando inflamação no colo do útero, uma intervenção “necessária” para que isso se resolvesse, seios constantemente sensíveis, espinhas surgindo nos lugares mais inesperados, um fluxo desesperador, mais as alterações de humor que me definiam antes do começo de tudo isso.

Já vou fazer 4 meses sem anticoncepcional nas veias então vou descrever algumas diferenças entre o que era antes, durante o anticoncepcional, e o que veio depois, sem anticoncepcional e que se diferem do que acontecia antes de eu começar tudo isso.

O CICLO

Meu ciclo tinha 28 dias contados e cronometrados como a tabela sugeria e eu tive um surto de desespero quando no mês seguinte à interrupção da ingestão fez com que essa exatidão saísse do controle. Apesar de utilizar aplicativos para isso percebi que ganhei uma semana a mais de espera e precisei me adaptar à essa questão já que, pesquisando afundo sobre o assunto descobri que, após algum tempo ingerindo estrogênio, hormônio responsável por enviar a resposta da fecundação, demora mais um certo tempo para que seu organismo volte a produzí-lo naturalmente.

O FLUXO

Antes, algo bem discreto que nem precisava de proteção que durava de 2 a 3 dias, agora, uma semana de absorventes, colchões e lençóis manchados e um eterno desconforto durante a vida social.

A DOR

Antes eu não sentia nenhuma cólica, agora eu não sinto algo muito diferente do que sentia antes de começar a ingestão.

A SAÚDE

Foram dois exames de papanicolau totalmente desconfortáveis para concluir que em 2016 eu precisaria fazer uma cauterização do colo do útero. Essa inflamação detectada nos exames sugere que o colo do meu útero tenha sofrido com o aumento de estrogênio, consequência da ingestão do anticoncepcional, e que para que essa alteração seja cicatrizada mais rapidamente, seria necessário queimar o colo do meu útero. Sente o drama.

Pesquisando sobre o assunto, achei esse canal e esse vídeo muito esclarecedor sobre intervenções ginecológicas:

https://youtu.be/h8ov-D7hYUU

A SENSIBILIDADE

Antes, havia um certo torpor sobre toda a minha sensibilidade, eu realmente parecia estar dopada e não sentia nada direito. Depois, algo que estava me dando nos nervos foi a alta sensibilidade nos seios. Eu não conseguia nem suportar tomar banho porque era muito incômodo. Mas após uns 3 meses, passou e já está tudo normal.

AS ESPINHAS

Eu nunca tive tantas espinhas quanto estou tendo nesse último mês. Inclusive, espinhas no pescoço, as coisas mais anormais no meu rosto. Já comprei produtos para tratamento da minha oleosidade excessiva, porém ela nunca foi agravante para o surgimento de tantas espinhas.

A MENTE

Não sei se é porque tirei um grande peso das minhas costas parando de tomar anticoncepcional e no término de relacionamento, mas estou conseguindo lidar muito bem com a minha existência. A expressão seria “Paz de Espírito”, mas não sei se consigo descrever essa sensação de uma maneira melhor.

AS EMOÇÕES

Antes eu me sentia mais equilibrada porém super tensa, quando eu tinha algum pico de estresse era super desastroso e eu ficava me sentind infeliz por muito temp. Agora estou conseguindo me expressar bem melhor. Apesar de que ás vezes explodo por motivos idiotas, estou me sentindo bem com isso e tá tudo bem.


Enfim essas foram as mudanças que eu percebi nesses últimos meses e finalmente esse post existe para que mais pessoas possam se espelhar nessa minha experiência. Pode ser que você não passe por nada disso, pode ser que você passe por uma parte dessas mudanças e pode ser que você passe por tudo isso e mais um pouco. Sempre lembrando que cada corpo é único, mas é sempre bom ter similaridades com alguém para se sentir mais seguro e confiante de si mesmo.

Fico feliz comigo mesma por conseguir ter a coragem de compartilhar minha intimidade por um bem maior que é a saúde e bem estar da mulher brasileira, um tema muito delicado e nas grandes pautas feministas daqui e do mundo. Para finalizar com chave de ouro, um podcast que abre a mente sobre essa problemática:

https://soundcloud.com/mamilospod/02-precisamos-falar-sobre-aborto-uber-lollapalooza

Abraços!