Um final previsível.
Uma fração de segundo. Uma ruptura se expande no peito. Eu respiro, mas me sufoco com um bolo seco de pessimismo.

Tudo aquilo, todos aqueles, não fazem mais parte de mim. Minhas memórias, meus vínculos se esmagam. No hipocampo uma carcaça vazia. Nenhum significado e preenchida de manchas negras.
O instinto me dá mais uma chance de respirar. A superfície é gelada e meus membros adormecidos. Nada mais é atrativo, é estragado. Amaldiçoado. Entrego-me rendida, dragada.
O mundo sem mim, flutua no alívio mórbido, é refletido no vazio. No projetor meus amigos, parentes e família, nessa convenção da homenagem ocidental. Questionam-me o egoísmo. Questiono-os o abismo.
Enterro-me no canyon que nossa natureza construiu. A distância entre as planícies é insuportável, irreparável. Arrisquei-me naquela ponte de esperança, mas a travessia não foi incentivada, nem acompanhada. Me vejo abandonada.
O foco livrou-me de todas as forças e agora eu não resta mais nada. É quase impossível me sustentar. Toda estrutura treme. Meu coração é fraco e desajuda. Se limita antes do esqueleto chicotear junto à poeira.
Agora já não é preciso mais pensar, nem me proteger, nem de me conservar.