Estive me lembrando de quando ganhei o meu primeiro computador. O ano era 2009, lá em meados de novembro. Lembro que passei praticamente aquele ano todo implorando pra que meu pai comprasse um pra mim. Finalmente e cansado de me ouvir falar dessa bosta de computador,ele decide comprar. Uau! Era incrível!

Eu passava as tardes todas olhando para aquela tela enorme,digitando,mexendo no mouse e sempre descobrindo algo. Antes eu ficava na casa de vizinhas,toda deslumbrada,óbvio,vendo elas jogarem “joguinhos de meninas” ou,quando aquelas (quengas?) meninas deixavam,eu podia pegar no mouse alguns segundos. Agora aquela não era mais a realidade,eu tinha o poder nas mãos. Eu tinha o MEU próprio computador!

Os anos se passaram e eu deixei de ver jogos de meninas e encontrei tudo -tudo mesmo- que o mundo virtual proporcionava. Fui crescendo e descobrindo mulheres que tinham o cabelo como o meu e ensinavam como cuidar,por exemplo. Caraca! Isso foi incrível!

Não havia redes sociais que nos deixavam tão ansiosos como hoje. Havia o Orkut,mas não existia essa competição por “likes”, “coments” e “share”. Antes,qualquer um se passava por popular com o “100% legal” do site. Isso era só pra quem era descolado. Ter isso no seu perfil era atestado de popularidade. E os depoimentos? Eu quase não tinha, e implorava pra me mandarem. Puf! Desde essa época eu deveria saber que,realmente, não levava jeito pra grupos e mais grupos de amizade…

Hoje existem várias ferramentas que nos proporcionam muita informação e,claro,ansiedade,baixa auto-estima,nervosismo,vazio e a lista é grande… Nunca achei que estaria um dia escrevendo sobre o quanto isso me sufoca.

Vemos as belas moças cheias de filtro e um sorriso de tirar o fôlego até de uma porta. Vários comentários. Nossa… Lá vou eu tentar também,com a minha beleza natural,e… 11 curtidas. E se tiver comentário é de parente. E a auto estima,vai pra onde? Pras cucuía!

Whatsapp é um app de conversa. Lá as coisas não mudam, não. Podemos ser ignorados a qualquer momento,por dias,meses… e o pior é se vem de alguém que gostamos. Ai! Daí não tem jeito,logo vem o título de “trouxa do ano” pra gente.

Não sou cheia de amigos, vá pensando… Eu sou apenas eu. E o Instagram? Fotos e mais fotos de “happyhour” de todos os tipos,desde o açaí do bairro até uma balada. Quem vê do outro lado? Eu mesma,de pijama,cabelo desalinhado e um pacotinho de chocolate Alpino e…sozinha! Ahhhh,por quê não eu lá?

A gente,que é assim,igual eu,a gente tenta. Tenta muito,colega! Mas parece que você é invisível,as pessoas não parecem querer te ver. Ou não vêem,mesmo. Como rede social e essa coisa louca de socializar nos sufoca. A rede social só acentua isso na verdade.

Que saudade do tempo que a gente só ficava do joguinhos,sem se preocupar no fulano que tá online,ou com o que tá acontecendo na vida do outro lá.

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