
“A Ele ouvi” (Mc 9.7)
Mas este não poderia ser acusado de ser um argumento circular? A Bíblia é autoridade porque Jesus afirmou, mas só podemos ler as afirmações de Jesus na Bíblia. Se essa forma de pensar for condenada como sendo circular, então todos os argumentos de apelo a uma autoridade última do pensamento também serão circulares[1].
Crer na autoridade das Escrituras é crer na autoridade última de Jesus, o Verbo de Deus. Ao lermos a Bíblia, as suas histórias, ela inevitavelmente irá nos conduzir a Jesus. Ao lermos sobre sua vida, e seus ensinos Ele nos levará novamente às Escrituras. “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”, disse Jesus. (Jo 17.17) A Palavra Escrita nos guia à Palavra Encarnada, e vice versa. Se formos acusados de defender um argumento circular, que este círculo esteja girando ao redor de Jesus.
[1] John Frame habilidosamente esclarece: “Será que tal procedimento mereceria ser condenado como sendo “circular”? todo mundo raciocina da mesma maneira. Cada filosofia usa os próprios padrões a fim de provar suas conclusões; de outro modo, seria inconsistente. Aqueles que crêem que a razão humana é a autoridade final (racionalistas) terão de pressupor a autoridade da razão humana para elaborar seus argumentos em favor do racionalismo. Os que acreditam na ultimação da experiência sensorial terão de pressupor isso ao argumentar em favor de sua própria filosofia (empirismo). E os céticos terão de ser céticos em relação ao próprio ceticismo […] O ponto é que, quando alguém argumenta quanto à necessidade de um critério último — Escritura, Alcorão, razão humana, sensação ou que quer que seja — terá de usar um critério compatível com sua conclusão. Se isso significar circularidade, então todo mundo será culpado de circularidade.” FRAME, John. Apologética para a glória de Deus. São Paulo: Cultura Cristã, p.18
