Eu não planejava falar sobre isso “nas redes sociais” e jurei que daria conta de guardar só pra mim ou manter tudo somente “na vida real”. Também achei que estaria mais calma e plena, mas veja só, aqui estou me identificando com esse meme:

Porque a verdade é bem simples: me mudo de país em 15 dias. Quinze dias. Duas semanas. Daqui alguns poucos dias estarei em um país totalmente diferente (e que ainda não conheço, veja bem), com uma língua e cultura totalmente desconhecidos. Não estarei sozinha, é verdade, e lembrar disso é o que tem evitado do meu coração sair galopando pra fora do corpo nos dias em que a ansiedade bate forte.

Escrever aqui também é uma tentativa de lidar com a ansiedade, por tudo pra fora e acalmar os nervos. Afinal, é mais fácil escrever do que falar sobre isso – sempre fui assim, melhor com as palavras escritas por extenso.

Aliás, perdi a conta de quantos posts e vídeos consumi esse ano sobre assuntos relacionados a mudança de país, como procurar apartamento, ou quais são as melhores formas de arrumar a mala, mas a verdade é que ninguém ensina sobre o que fazer com esse sentimento de saudade antecipada. Ninguém explica como não ficar sentimental por ter que alugar seu apartamento novinho e decorado com tanto capricho. Ou de como não encarar cada encontro e evento de amigos e familiares com um olhar de despedida.

Meu humor nunca foi tão instável quanto esses dois últimos meses. Tem dias em que a euforia e felicidade da conquista dão espaço para um sentimentalismo e ansiedade sem fim, e me pego alternando pensamentos de “vai dar tudo certo e ser do caralho” com “puta que pariu, como vamos fazer isso?”.

Aí quando lembro, inspiro e expiro quantas vezes forem necessárias, até lembrar que nada é impossível, que nada dura pra sempre – nem mesmo a euforia ou ansiedade, que é nesses momentos de maior provação que mais aprendemos e mudamos, e que passar e vencer tudo isso é que nos torna mais fortes, é o que nos dará orgulho no futuro.

Espero ler isso daqui um tempo e lembrar de como me preocupei tanto, à toa. Porque é sempre assim, só não posso esquecer.

Respira, Camila. Vai dar tudo certo!