A última vez que você não vem.

Quantas vezes eu vou te jogar no limbo dos meus sonhos e te verei voltar sujo mas de alma lavada pelo que viveu?

Quanto eu ainda deixarei de viver te usando como desculpa?

Quantas vezes te deixarei voltar sem os históricos de mensagens que apaguei pra disfarçar tua ausência, tua não dedicada resposta, teus nãos?Quantos sim eu direi a ti, ainda?

Quanto de súplica nada quieta ainda sairá de mim sem retorno certo? Quanto ainda ouvirei de silêncio?

Quantas vezes me farei estar como penso que você gostaria que estivesse e não como estaria caso sua chegada não fosse uma possibilidade? Quantas possibilidades, de fato, existiram?

Quantas unhas cortadas pra não machucar tuas costas, pintadas de vermelho pros seus olhos daltônicos. Quantas cores eu tenho sem você me enxergar?

Dívidas que, ainda em teu nome, não somo na sua conta.

Invento medida de tempo e não cabe em nenhuma calculadora a soma do que eu deixei de fazer por mim em você. Qual a tua parte nisso?

Quantos talvez caberão? Me diz?

Não. Eu te digo. Eu te digo e basta uma única vez. Eu te digo dessa vez, não.

Escrito em: 2 de abril de 2015

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