Desconcentra-me

Ando querendo me preocupar com coisas sérias. Coisas que não deveriam me preocupar. Talvez por gostar de lidar com problemas, o que deve ser algum tipo de doença, ou por temer o marasmo da vida. Me sinto mais vivo quando me vejo em situações delicadas onde preciso usar a cabeça pra escapar. Eu não precisaria disso se tivesse com o que me ocupar, certamente. Mas, se assim fosse, estaria me ocupando com coisas fúteis ou que nada podem me acrescentar. E quando digo isso não me refiro a questões materiais, que fique claro. Me refiro a questões pessoais, emocionais, espirituais, morais. Questões filosóficas. Porque nada é mais filosófico do que o cérebro alheio. Nada mais filosófico do que saber como o cérebro alheio funciona. Talvez seja esse o meu eterno problema: querer sempre entender a mente de qualquer pessoa que chame a minha atenção. Por azar, sorte, mágica ou maldição, nasci viciado nisso. Desde pequeno me lembro de querer desmontar tudo só pra poder montar de novo. Do meu jeito, do meu próprio jeito. Quase sempre dava errado, é verdade. Me lembro também de tentar bolar um plano para obter sempre as respostas que precisava das pessoas com quem conversava. Nisso eu sempre fui bom. Sei que esse meu jeito já foi descoberto e sei que indiretamente paguei muito caro por isso, pois é claro que algumas pessoas se incomodam com tamanha enfermidade. Eu também me incomodaria. Mas e se este for o meu jeito? Não que eu acredite nisso de jeito, de maneiras eternas de ser. Até porque já mudei muita coisa em mim que me fazia mal e nada me impediria de mudar isso também. Mas, e se eu gostar de ser assim? E se o prazer que eu sinto quando descubro a maneira de pensar de alguém for o meu maior prazer? Estou neste momento me fazendo esta pergunta em meio a um dos momentos mais calmos da minha vida, em todos os sentidos. Pode ser que a cura da minha doença esteja em saber como a minha própria mente funciona. Aliás, deveria ter pensando nisso antes. Aliás de novo, você sabe como sua mente funciona?

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