acabei de ver “as sufragistas” e saí do cinema com um misto de sensações difícil de exprimir. empatia é a primeira e a que me fez chorar em mais da metade do filme porque aquelas mulheres são reais, aquelas mulheres existiram e elas tiveram que se sacrificar pra conquistar os avanços da nossa situação atual. que ainda está muito longe do ideal. o que me leva ao segundo ponto: raiva. o filme se passa há um fucking século e ainda assim consegue ser irritantemente atual. que merda, fiquei extremamente puta ao constatar as várias situações do cotidiano que vivemos na pele da personagem principal em pleno 2016. todos os abusos físicos e morais pelos quais passamos por sermos mulheres. chorei de raiva e de impotência quando, caminhando na volta pra casa, um carro encostou do meu lado e me acompanhou por um quarteirão em uma rua vazia. que bela ironia, hein? veja só: temos medo de ocupar um espaço público pelo simples fato de sermos mulheres. ainda somos estupradas, assediadas, abusadas, oprimidas como aquelas mulheres do início do século XX. ainda ganhamos menos que os homens, ainda sofremos violência doméstica, violência estética, ainda entramos em relacionamentos abusivos, ainda somos chamadas de loucas, ainda temos nossas queixas silenciadas, ainda temos nossa luta ridicularizada e ainda temos que lidar com os male tears (euzomi?). “i’d rather be a slave than a rebel” ainda é atual. ou você é escrava do machismo e se sujeita a esse padrão moralmente aceito do que é uma ~mulher direita~ ou é uma vadia. ou você é uma escrava do patriarcado ou é uma feminazi abortista esquerdista que tá precisando transar, precisando de pau porque tudo se resume a esse falocentrismo de merda não é mesmo? (contém ironia). por fim, senti sororidade ao terminar a sessão e ver minhas amigas também com os olhos todos inchados de tanto chorar. senti que não adianta sentir ódio, que a luta que acontece hoje não começou de agora, mas que eu não estou sozinha nessa.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated las noches de laís’s story.