Porque você tem que ver La La Land

Antes de mais nada, ouça esse álbum enquanto lê este texto, nunca te pedi nada.

https://play.spotify.com/track/5PYPCxyWltRIyPkhSsnWIk

Agora vamos lá.

Isso não é uma crítica.

Não chego nem perto de poder analisar um filme. Mas, tem uma coisa que eu posso fazer: falar sobre o sentimento que ele desperta.

E não posso evitar falar de La La Land sem começar com uma metáfora infame, que traduz exatamente minha emoção pré-sessão.

Sabe quando você tem aquele crush com quem só fala pelo Whatsapp? Ele parece perfeito, é bonito(a), cheiroso (você imagina), encantador. Mas vocês se dão tão incrivelmente bem que você chega a ter medo de conhecê-lo pessoalmente e não ser tudo aquilo que imaginava?!

Pois era exatamente assim que eu estava me sentindo sobre esse filme.

Quando entrei no cinema e sentei na cadeira, não conseguia conter a ansiedade e nem consegui relaxar nos primeiros minutos de filme, tamanho o medo de não gostar tanto quanto queria.

Sim, eu queria gostar.

E aí está o primeiro ponto sobre La la Land, sobre musicais e sobre qualquer coisa na vida: você tem que estar disposto a gostar. Tem que estar de coração aberto. Tem que querer ver, querer se divertir, querer se apaixonar. Senão nem vale sair de casa.

Mas, logo no final da primeira sequência eu já estava com um sorriso bobo no rosto pensando “eles conseguiram”.

Veja aqui como o maravilhoso Damien Chazelle conseguiu fazer essa sequência maravilhosa

Por “eles” eu me refiro a todos que fizeram isso acontecer. Sempre penso nos filmes como um todo, tento imaginar além do diretor, do roteirista e dos atores. Penso no trabalho do figurinista, do diretor de arte, do fotógrafo, dos câmeras, do produtor da trilha, do coreógrafo (que, nesse caso, foi a brilhante Mandy Moore. Infinitas palmas, Mandy.), etc.

Não possuo a menor técnica para analisar o trabalho de uma equipe cinematográfica, mas sei que quando tenho aquele feeling de que tudo está maravilhoso, é porque cada um fez a sua parte muito bem feita.

E tenho certeza de que esse é o caso.

A começar pela escolha dos atores. Emma Marvelous Stone e Ryan Gorgeous Gosling, divando na atuação, na dança, no canto. Cada vez que a câmera focava na reação de um deles meu coração dava um pulinho de emoção.

Emma Marvelous Stone escreve roteiro com caneta na boca.

Além de tudo, Ryan Gorgeous Gosling ainda toca piano.

E o cenário? Fala sério.

O que é aquela mistura de cores, aquele costume design, aquela alegria toda em forma de direção de arte. Um verdadeiro presente para os olhos. Só por isso já valia o ingresso, porque pagar para ver tanta beleza dinheiro muito bem gasto, viu.

Damien Chazelle, o diretor de 31 aninhos (que raiva boa de você, Damien!), disse, em uma das 30 entrevistas que vi, que pensou nesse filme como uma homenagem aos grandes musicais dos anos 30, 40 e 50. E foi um trabalho digno de fazer os produtores de Cantando na Chuva chorarem de emoção.

“It’s about passion for art and passion for love.”
- Damien Chazelle

Eu quase chorei de emoção quando percebi a verdadeira mensagem do filme. Não é só sobre Los Angeles, nem sobre duas pessoas tentando crescer na carreira, nem sobre um casal apaixonado.

Esse filme é sobre sonhadores. Sobre pessoas que, na tentativa de perseguir seus sonhos, se passam por tolos, por ingênuos e imaturos. Sobre aquela mínima chance que todos temos de conseguir o que realmente queremos. Isso quando sabemos o que queremos. Sobre a dualidade de fazer o que é preciso ou o que nos faz feliz. E, acima de tudo, sobre como o amor se encaixa ou se desencaixa no meio de tudo isso.

“This is a movie for dreamers”
- Emma Stone

O prêmio de segundo lugar no meu medidor de encantamento vai para o roteiro.

Além de ótimo diretor, nosso querido Chazelle conseguiu escrever uma história completamente realista. Nela, o amor pelo outro não está acima do amor próprio, como tem que ser. Nada é clichê. E mesmo o que você pensa que é, não é. As definições de “fomos surpreendidos novamente” foram atualizadas nesse filme.

Mesmo sendo um amor real, possível, e muitas vezes doloroso, não deixa de ser uma ode à paixão. A paixão em sua definição mais universal, não só a paixão romântica, mas a paixão pela arte de viver. E isso está espalhado por todo o filme.

“Por que você diz ‘romântico’ como se fosse um palavrão?”
- Ryan Gosling em cena do filme

Mas, o que mais me apaixonou mesmo foi a trilha, que já está no looping eterno do meu Spotify.

Você pode odiar musicais. Você pode odiar jazz. Mesmo assim, você vai gostar dessa trilha. Porque só não gosta dela quem não tem coração. Cada notinha (que te conduz pelo filme todo) é um carinho na alma.

É o tipo de trilha que não depende do filme para ser ouvida e apreciada. Ela faz sentido em si mesma.

Tudo isso, aliado aos long takes e às coreografias, dá nesse resultado que alguém descreveu perfeitamente: em La la Land Birdman encontra Singing in the Rain. É pura magia.

E isso me fez pensar no por que é tão bomver os outros dançarem? Me fiz essa pergunta quando vi a primeira sequência do casal dançando “A Lovely Night”. Caramba, como era bonito. E antes que a música terminasse, eu já tinha minha resposta.

É tão bonito ver os outros dançarem porque ali tem vida.

Se é o renascimento do musical ou não, eu não sei. Mas, me desculpem os haters do gênero, as notas alcançadas nas performances de um musical, aquela mistura de vozes, é uma coisa que eleva a minha alma à décima potência e me faz sentir que tudo é possível.

Agora, para tudo. O que é aquele final?

Infelizmente, não posso falar nada mais do que isso sem correr o risco de dar spoiler. Mas por favor comentem o final comigo assim que virem, por favor.

E tem uma última coisa que eu aprendi com esse filme: que não podemos e nem devemos obrigar ninguém a fazer o que só a gente gosta.

Então, se não quiser ver esse filme, não veja.

Só vai estar perdendo uma linda experiência.