Campanha a Favor da Falta de Eficácia

Está a querer-se passar a ideia, de que o que se passou em Tondela foi falta de eficácia. Que o Porto produziu o suficiente, não conseguiu foi materializar. Pontaria desafinada, dizem. Em particular André Silva, que está a ser o mais visado. De facto, existiram oportunidades flagrantes de golo desperdiçadas. Mas estar a resumir a isso o que se passou em Tondela, é estar a ignorar quase um jogo inteiro. E foi precisamente isso que o treinador fez.

Foi por isso com perplexidade, que assisti às declarações de Nuno Espírito Santo após o jogo em Tondela.

“É um resultado frustrante, que não nos agrada, num jogo que dominámos e produzimos o suficiente para ganhá-lo. Temos de encontrar soluções, é responsabilidade minha encontrar soluções e trabalhar a equipa para que seja efectiva. A equipa produz, mas tem de ser efectiva, tem que materializar essa produção.”

Quem como eu, assistiu ao jogo de inicio ao fim, não viu certamente o mesmo jogo que Nuno Espírito Santo. Como se pode falar em produção, quando o primeiro remate à baliza surgiu apenas aos 61 minutos? Ou a primeira grande oportunidade de golo aos 81 minutos? Estas declarações do treinador, apenas reflectem os instantes finais da partida. O que ficou por contar foi o resto. E o resto foram 80 minutos de jogo pobre. Principalmente os primeiros 45 minutos.

“Cláudio Ramos, o guarda-redes do Tondela, é um cidadão tranquilo. Quer dizer, ele sai a uns cruzamentos e tal, não passa daí. O jogo simplesmente não flui, é como dar 45 minutos de avanço ao Tondela.”

Retirado da crónica do Rui Miguel Tovar, no jornal O Observador. Pode aqui aqui o resto.

Na segunda parte o jogo mudou. Ficou mais animado. O Porto começou a ir desenfreadamente para a frente. Mas foi do Tondela a primeira grande oportunidade de golo. Não fosse a enorme defesa de Casillas, e o Porto teria corrido o risco de nem um ponto trazer. Foi como defender um penálti. E foi essa oportunidade que mexeu com o Tondela. Começaram a cair em tentação de repetir a graçola. Desorganizaram-se em busca de oportunidade igual. Não porque o Porto tenha feito algo para os desorganizar. E foi aí, nos últimos 10 minutos, que o Porto foi capaz de produzir e ter oportunidades flagrantes de golo. E as desperdiçou. Tivesse o Tondela sido menos ambicioso nos instantes finais, e o Porto jamais teria tido o que materializar.

No seguimento das declarações de Nuno Espírito Santo, o jornal O Jogo vai ainda mais longe, e aponta a falta de eficácia como factor global, não apenas contra o Tondela. E faz uma peça inteira que dá direito a capa.

A palavra-chave no FC Porto passou a ser a finalização e os dados são claros: O que está desafinado é a mira.

E ainda…

Dragões conseguem em média mais situações para finalizar do que o Sporting e quase tantas como o Benfica. Diferença está no número de remates que vão à baliza e na eficácia.

Felizmente, a massa adepta do Porto vê os jogos e não é tola. Enquanto em outros lados dizem sim a tudo e batem palmas que nem mortos-vivos, deste lado o cenário é outro. Basta visitar os blogues dos três grandes e perceber onde está a voz critica.

O que falta saber, é se esta campanha tem algum tipo de patrocínio. Se tem, é grave. Muito grave.

Como foram graves as declarações de Nuno Espírito Santo. Estar a colocar a culpa nos jogadores não demonstra carácter. Nem tão pouco beneficia a equipa. Principalmente André Silva, o mais visado, que vai entrar contra o Boavista pressionado, com o mundo nas costas. Tudo isto era desnecessário.

O Problema

Tivesse por exemplo André Silva concretizado as oportunidades em Tondela, e iria mascarar ainda mais o que de mal vai no Dragão. O Porto não sabe ter bola. Em posse não gera consequência. Não tem o que materializar.

Quando o Porto tem de assumir o jogo, só consegue chegar à área adversária através de bolas paradas, cruzamentos ou lances individuais. Isto acontece, porque a equipa não consegue progredir na posse da bola. É inconsequente. Daí que seja raro ver a equipa construir jogadas a partir do colectivo. A não ser em transições, mas nunca a partir da posse. O problema para Nuno Espírito Santo é que o Porto não pode ser uma equipa de transições. No que resta do calendário, só na Luz e em Leicester, poderá a iniciativa de jogo ser repartida. De resto, em todos os outros, terá a obrigação e responsabilidade de os assumir. Uma equipa grande, como é o Porto, não pode conviver com esta incapacidade.

A cada jogo que passa, mais tenho a certeza que a origem está no treinador. E eu, que até já fui um defensor dele. Mas não dá mais. O plantel é bom, e tem jogadores capazes, acima da média. Troca de sistema como quem troca de jogadores. Alguém acredita que o 4–4–2 foi planeado? Se fosse não teria dispensado Aboubakar, Suk e Bueno. Nuno Espírito Santo vai experimentando de tudo a ver o que resulta.

Infelizmente, a estrutura também está com problemas. Esperar que façam alguma coisa é ter fé a mais. Resta esperar e ver o que acontece.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.